sábado, 31 de janeiro de 2009

TCC - um caso prático da complexidade empresarial (parte I)

Bem... Como toda formanda em Relações Públicas, cá estamos nós, eu e mais duas amigas, desenvolvendo um Planejamento de RP pra uma empresa como trabalho de conclusão de curso. Então vamos ao trabalho! Portas abertas da empresa, primeiro passo Briefing! Desde o primeiro contato com a empresa para negociar os nossos estudos lá até a finalização do Briefing, presenciamos a mudança de pelo menos sete funcionárias diferentes na recepção! Eu já não sabia nem com quem eu falava, tantas caras, tantos nomes...

Rotatividade total! E eu me perguntei, em primeiro lugar, o que acontece aqui nessa empresa? Como se sentiria um cliente? Nunca ia se sentir em casa, não conseguiria manter um contato mais próximo com a empresa, já que a pessoa que lhe atende nunca é a mesma, não passa um mês e já tem gente nova no pedaço! Em segundo lugar: como a empresa faz para transmitir a esses funcionários (literalmente temporários) seus objetivos e envolve-los com as metas? (logo mais lhes digo a resposta).

Iniciado o Briefing, nós, minhas amigas e eu, começamos a entender o universo ali dentro. Posso citar aqui um pouco do que nós encontramos pela frente: Nada de missão, visão, objetivos e valores. Sim, eles existiam, mas só na cabeça de um dos diretores da empresa, nada documentado, nem rabiscado num papel.

Fizemos uma pesquisa com os funcionários e perguntamos a eles qual era o objetivo da empresa. As respostas foram as mais diversas possíveis, alguns foram honestos em dizer que não sabiam que ninguém nunca tinha dito isso para eles e dois (isso mesmo! Dois) funcionários sabiam quais era os objetivos da empresa. Eu quase tive um troço! Seria isso normal em muitas empresas por ai? Sim! Aquelas que não se importam com comunicação e não estão nem um pouco interessadas em seus funcionários. Resultado disso, quase metade dos funcionários entrevistados não tem nenhuma perspectiva de crescimento dentro da empresa! Claro, eles não sabem nem por que estão ali! A não ser pelo salário no fim do mês.

E a rotatividade? Sim, a rotatividade! Bem, nessa empresa diversas pessoas podem fazer o recrutamento, pode ser o diretor comercial, o próprio dono ou o contador, na maioria das vezes é o contador mesmo, que também desempenha a função de RH. Não tem preparo nenhum para fazer seleção. Não há treinamento para os novos contratados, eles aprendem observando os outros. E quando começam a trabalhar mesmo (depois de passar uma semana olhando o trabalho dos colegas) o diretor comercial cobra resultados, produtividade e muitas vezes de uma forma não muito amigável. Existem relatos de Assédio Moral.

São muitos os problemas que eles ainda não estão enxergando, mas a pesar de não ver com clareza, já estão sentindo na pele o resultado da postura errada. Ainda tenho muito para contar, mas acho melhor ir ao poucos para não tornar a leitura entediosa. Volto a falar de mais problemas encontrados e, mais tarde, do que e como a gente vai fazer pra ajudar essa empresa através do nosso Plano de Relações Públicas.

por Thayse Amorim (João Pessoa-PB)

4 comentários:

  1. É lamentavel perceber como os empresários(se é que podem ser chamados assim) lidam com comunicação interna, aliás eles nem sabem que esta existe. E por causa disto vemos resultados desastrosos como este que vcs têem nas mãos, estou anciosa pelo resultado do trabalho de RP de vcs e esperançosa que os responsáveis pela empresa leve o projeto à frente fazendo valer todas as vossas observações e colocando em prática a solução que será apresentada.


    Elza

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  2. Graças a Deus voçes apereceram nesta empresa para levar uma luz a estes patrões e empregados e que cada um se vejam como pessoas dignas e não como ferramentas de trabalhos, e passem a ver os funcionários e clientes como pessoas humanas e não como criados e fregueses. Parabéns.

    J. Valter

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  3. Nossa, pelo que vejo a turma ai vai ter um longo trabalho, espero que esses empresários acatem as ideias que voces vão oferecer e tenho certeza que serão ótima!

    Nalbert Shuenzer

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  4. Pois é, uma pena realmente que ainda existam pessoas assim! A comunicação é, sem dúvidas, um diferencial para as empresas hoje! Espero que um dia ela seja uma pratica normal em todas as organizações. Parabéns pelo texto, muito agradável!

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