quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Responsabilidade Social nas organizações do Terceiro Setor

Responsabilidade Social é um tema já bastante discutido e recorrente no cenário econômico atual. Podemos afirmar isso. No entanto, ao discutirmos essa temática, lançamos luz sobre a adesão dessa prática nas organizações do terceiro setor. Elas realmente praticam aquilo que se propuseram defender?


A princípio abre-se o debate - levantando a questão de que possivelmente algumas organizações do terceiro setor não cumprem, na íntegra, a sua função social - quando, por natureza, são responsáveis socialmente.

Então vamos aos dados:

Foi por volta da década de 1990 que as empresas começaram a potencializar seus investimentos em projetos sociais no Brasil. É o que apontam as pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, em que apontam que 59% das empresas como sendo investidoras em projetos sociais nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste (TORRES, 2003)

Entretanto a sociedade tem sofrido com esses avanços. Nesse sentido, as empresas passam a assumir a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa, com melhor distribuição dos recursos. A reestruturação desses processos sociais obrigou o Estado a desenvolver políticas que pudessem atender às demandas que essa sociedade exigia. Questões antes tratadas em escala local, agora estavam sendo tratadas em ordem global, interferindo na vida da comunidade. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, em 2002, 44% das empresas brasileiras não fizeram previsão orçamentária para seus investimentos na área social.

Aparentemente, estas empresas não demonstraram preocupação com as condições sócio-econômicas e/ou ambientais. Certamente porque suas prioridades seriam em auferir lucros, ao invés de investir socialmente. Assim, abre-se precedente para que estas mesmas organizações justifiquem a não aplicação da RSE em suas políticas.

Nesse período a sociedade estava vivendo a efervescência de um novo momento: a globalização. Os processos de integração entre as economias e sociedades tornaram-se a tônica dos relacionamentos, implicando em transformações sociais profundas, que trouxeram grandes conquistas à sociedade, como o Código de Defesa do Consumidor sob a forma da lei 8.078/1990 no Brasil. É o que indica o texto de Sampaio (2010), publicado no portal do Ministério do Planejamento.

Paralelamente à evolução dos conceitos de responsabilidade social na década de 1990 e, para atender às demandas que o Estado não tinha condições de suprir, as Organizações Não-Governamentais – ONG´s, assumem um papel de protagonismo institucional, isto é, de caráter social, religioso, filantrópico etc, manifestando-se como alternativa para as minorias se estabelecerem como sujeitos participativos na sociedade moderna, como comprova Caroline Faria em texto para o portal InfoEscola.

Se a comunicação é “um princípio fundamental da organização gregária humana”, como afirma Candido Celso, é justamente no Terceiro Setor que ela deveria servir como instrumento ético, promovendo aquilo que se propõe.

É nesse contexto controverso, de argumentos contra e a favor da responsabilidade social, que surgiu a necessidade de se analisar a relação entre RSE no terceiro setor e as contribuições das relações públicas, pois, “a presença de uma controvérsia, a oportunidade de discussão e o aparecimento de uma decisão ou opinião coletivas marcam as características do agrupamento elementar chamado de público” Andrade (2001, p. 13).

Por Danilo Marinho

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um profissional renascentista

Esta semana o Clube do RP recuperará um bate papo com Luiz Gaulia, em 2011, jornalista e públicitário com especialização em comunicação corporativa. Confira na íntegra a conversa.

Clube do RP - Em termos de imagem para o país, o que representa a eleição da cidade do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas de 2016?
Gaulia - Quando falamos apenas de imagem, estamos falando de uma ilusão, de uma percepção favorável ou desfavorável. No caso de uma Olimpíada, a eleição da do Rio de Janeiro é sem dúvida um ponto positivo para a cidade e para o país.Afinal, o simbólico tem muito valor no imaginário coletivo.

Clube do RP - Falando em termos de mercado, como anda a situação dos profissionais de comunicação no Brasil?
Gaulia - Tenho uma percepção favorável sobre isso. As empresas estão descobrindo o óbvio - sem comunicação não há relação, não há negócio, comércio, interação porque tudo depende da comunicação. E um mundo hiperconectado contribui para valorizar o profissional de comunicação, desde que ele seja mais que um ferramenteiro. Que saiba fazer um jornal, o site, o relatório, mas também entenda de cultura, história, psicologia, sustentabilidade. Um perfil que chamei de "o novo renascentista" num artigo publicado na revista da Aberje e que a própria associação classifica como "mestiço". Este é o profissional que o mercado vai valorizar cada vez mais.

Clube do RP - Onde podemos achar esses profissionais mestiços no Brasil, no mercado ou na academia?
Gaulia - Este profissional está tanto no mercado como na academia. Ele está "na rede". O importante é que os head hunters saibam como encontrá-lo - fora do padrão "envie seu currículo". Este profissional pode até já está na empresa - mas se a empresa não permite um diálogo amplo, não permite a possibilidade de conversas construtivas e inovadoras vai ficar difícil de perceber a existência desse profissional em seus corredores.

Clube do RP Ainda existe uma dificuldade muito grande para o empresariado entender a importância do profissional de comunicação em sua empresa. Seria o caso de se desenvolver uma campanha para esclarecer essa questão?
Gaulia - Tudo é válido. Mas eu chamo atenção de uma coisa: o empresariado sabe da importância do profissional de comunicação. O líder verdadeiro, criador e empreendedor é um profissional de comunicação, porque senão não haveria negócio. Ou seja, quer mais valorização do que isso? Apenas alguns não perceberam esse fato. Organizações são processos permanentes de comunicação...

Clube do RP - Alguma sugestão para egressos de comunicação para ingressar  no mercado de trabalho?
Gaulia - Conhecimento. Leiam, estudem, se aperfeiçoem como profissionais e também como pessoas. Cuidem da saúde física, mental, emocional e espiritual. Compartilhem suas idéias e não busquem "empregos" - busquem relações duradouras, busquem aprendizado através de novas amizades. É o que digo para profissionais de vendas. Não corram atrás de pedidos de compra. Façam amizades, conheçam as pessoas, se interessem por elas: como posso ajudar essa pessoa? Aí as coisas vão fluir. O mundo precisa de novas soluções e abordagens e a maior é valorizar a vida humana através das relações diárias.

Clube do RP Qual a importância das Redes Socias na construção dos processos comunicativos?
Gaulia - Vivemos em hiperconexão tecnológica e esse fato nos insere em redes, quer queiramos ou não. Estamos na mídia, estamos no virtual. Clique seu nome no Google, por exemplo, e veja quanta coisa está registrada. A rede é onipresente e onisciente. Para o mal como num grande Big Brother vigilante, mas também para o bem - como na troca de conhecimentos, descobertas ou na conversa com pessoas da Índia, na Islândia ou em Angola. Viramos vizinhos e apesar do que disse o historiador Theodor Zeldin ("A humanidade é uma família que não se conhece") eu vejo que hoje estamos nos reconhecendo mais íntimos e familiares a cada novo dia. Ou seja, as redes sociais sempre existiram, mas hoje estão globais e isso no meu entender traz coisas boas e coisas ruins. Aliás, como em qualquer atividade humana.

Clube do RP - Como avalia a crise diplomática entre Brasil e Honduras?

Gaulia - Bom, não sou expert em política internacional e acredito que no Itamarati existam as melhores cabeças para tratar deste assunto. Mas gostaria de ver o conflito resolvido através do diálogo entre as partes interessadas, preceito da sustentabilidade. Nunca através de armas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Navegue por um mundo melhor

Navegue por um mundo melhor! Este é o lema que dois estudantes portugueses têm levado às comunidades carentes em seu país. Pode parecer distante, ou pretensioso, mas já é um bom começo para quem tem o desejo de mudar a realidade em que vivemos.

A história do Gsolidário surgiu em fevereiro de 2008. Pensado por Paulo, que pretendia aliar o motor de busca da Google, daí o “g” à solidariedade de solidário. Depois disso registrou-se o domínio e, alguns meses depois, em julho a idéia começou a ser desenvolvida.

Criado por Joana Gordalina e Paulo Marques, o Gsolidário é um site de pesquisa desenvolvido com o objetivo de ajudar instituições de solidariedade Social. Mesmo utilizando a plataforma da Google, o Gsolidário é um conceito independente da marca americana. A finalidade é angariar dinheiro através dos cliques efetuados na publicidade que são disponibilizados pelo Google nas margens do Gsolidário.

Como funciona o Gsolidário? “O Gsolidário usa duas plataformas do Google, o Google Costume Search e o Google Adsense. A primeira é uma plataforma que permite a qualquer pessoa criar uma página com pesquisa Google, a segunda permite angariar dinheiro com as publicidades apresentadas junto aos resultados das pesquisas. Quando se faz uma pesquisa no Gsolidário, aparecem junto aos resultados algumas publicidades, essas publicidades são pagas pelo anunciante ao Google que por sua vez dá uma parte ao Gsolidário. Para quem usa o Gsolidário os resultados são exactamente os mesmos que são apresentados no Google, uma vez que a plataforma de pesquisa é a do Google. Quando atingimos 100 euros, o Google deposita esse dinheiro na nossa conta”.

Dessa forma, a cada € 100 arrecadados é aberto um espaço para votação que permite aos seus usuários votarem na instituição de sua preferência. Ainda para este mês está previsto o concurso que premiará em € 500 as instituições inscritas no Gsolidário. O tema do concurso é “Peça um desejo para 2010”. Cada instituição participante deverá entregar em uma folha de papel A4 a descrição do desejo que pretende ver realizado em 2010 e que, de alguma forma, o Gsolidário possa ajudar a realizar contribuindo com os € 500. Se quiser conhecer, é só acessar http://www.gsolidario.org/.

Essa plataforma está acessível a toda comunidade e/ou instituição interessada que se inscrevam. O projeto contempla todas e quaisquer organizações, associações e fundações que tenham o estatuto de uma IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) ou que tenham o estatuto de uma ONGD (Organizações não – governamentais de desenvolvimento) e que também possuam as seguintes áreas de intervenção: educação para o desenvolvimento e ajuda humanitária. Para participar é bastante simples. Basta enviar um e-mail com a logomarca da instituição e uma breve apresentação para instituicoes@gsolidario.org. Atualmente o Gsolidário conta com a presença de 134 instituições. Estão abertos quatro espaços para votação, e em cada espaço é oferecido € 100. As instituições vencedoras até o momento foram: CerciPortalegre, CrescerSer, Fundação O Século e a Sem Fronteiras. Assim, já foram arrecadados € 900.

Iniciativas como essa da Joana e do Paulo representa para a sociedade um grande avanço social. Em tempos de crise, não podemos esperar que as coisas melhorem por si só. É necessário que façamos algo para transformar essa realidade e esses dois estudantes portugueses entenderam bem o espírito real do que é cultura solidária.

Como o próprio termo indica Gsolidário é uma ação que agrega valor, aproxima pessoas e instituições e, sobretudo, promove a solidariedade. “É sinal que as pessoas acreditam que um simples hábito de vida pode ajudar as pessoas e felizmente temos verificado que existem muitas pessoas interessadas neste projecto e que participam activamente nos espaços de votação”. Afirma Joana.

Por Danilo Marinho

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Guerra dos Sexos

Desde que me entendo por gente que ouvia falar na célebre frase: "Guerra dos sexos". Mas não imaginava que isso pudesse estar tão próximo da realidade de tanta gente. Inclusive a minha. No mundo corporativo esse conflito se torna agravante, pois os homens têm em sua maioria, seus salários mais altos do que os das mulheres.

Fazendo uma breve análise social, cultural e política, por exemplo, percebemos claramente que a mulher vem ocupando expressivamente seu espaço na sociedade. Contemporânea, assumiu novos valores, estabeleceu novas prioridades e isso acarretou em novas demandas do próprio mercado. Esses novos valores estabalecidos e estipulados colocaram o trabalho como um dos primeiros elementos dentro de suas escalas de prioridades. Assim, a taxa de fecundidade diminui e diminui também o número de "donas de casa" nos lares. O que implica no aumento da competitividade feminina e aumenta o nível de equivalência entre homens e mulheres no mercado.

Conversando com uma amiga que, recentemte, foi contratada para o cargo de gestora em uma empresa, ela comentou que não era reconhecida como tal pelo restante dos funcionários, certamente por ser mulher e sem dúvida por ser muito jovem. Sei lá, paternalismo da sociedade, machismo, crenças que ainda estão bem vivas nas relações sociais, principalmente no mundo corporativo, não justificam tal postura, mas devemos enxergar que isso é uma realidade e não podemos omitir...

Esses conflitos de gêneros se estendem por todas as áreas profissionais. No campo da comunicação/relações públicas não seria diferente. Sengundo Grunig, 80% dos profissionais formados em RP nos EUA são mulheres. No Brasil isso não é tão distante. Grande parte dos profissionais formados são do sexo feminino. Basta dá uma passeada, lá pela faculdade mesmo, que você constatará essa realidade. Entretanto isso não é o suficiente para que as mulheres ocupem é pé de igualdade os cargos de chefia nas organizações.

Di Stefano, Diretor da ICI (Integrated Coaching Institute) afirma que, devido a fatores sociais, as mulheres esperam que seu trabalho seja reconhecido, enquanto que os homens buscam demonstrar a importância do que fazem. A grande realidade dos fatos é que as mulheres são maioria no mundo e que, nessa condição se tornam um público totalmente estratégico para as ações de RP. Que as digam as dezenas de profissionais espalhadas pelo mundo.

Por Danilo Marinho

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Por uma nova Relações Públicas!


...Souberam se posicionar diante desse novo cenário e construiram uma nova face profissional. Essas novas demandas sociais - sustentabilidade, responsabilidade social, ética - acabaram por se tornar importantes instrumentos de comunicação e relacionamento entre organizações e seus públicos.

Entretanto, se encararmos essas novas demandas como tendências, ou algo passageiro, efêmero, fulgaz, o sentido de todo esse investimento social vai por água abaixo. Se me perguntar porque, direi apenas que já eram demandas no século passado. Há registros de organizações não governamentais ainda na década de 1960  nos Estados Unidos. Isto significa que a população, já naquela época tinha a esperança de dias melhores.

Imaginemos então um mundo onde a Sustentabilidade, Responsabilidade Social, Ética, são regra e não exceção. Como se comportariam as empresas que apenas as utilizam como forma de ação pontual, legítima de tentativa de contribuir para um outro mundo possível (Fórum Social Mundial 2010).

A experiência que tive no Fórum Social Mundial este ano me mostrou que estamos muito longe do que desejamos para um mundo realmente melhor; durante a oficina que realizei na Tenda da Juventude, conversávamos sobre desenvolvimento sustentável e outras coisas. Durante a conversa, falávamos de reciclagem e como transformar a sociedade, deixando -a mais consciente de que não se pode voltar atrás quando o impacto é muito negativo para o meio ambiente etc.

De repente percebo que o local onde era realizada a atividade estava completamente sujo com garrafas, pratos, copos que os paticipantes haviam jogado no chão....

Como se posicionar diante de uma situação, aparentemente primária, que ainda é um grande paradoxo social? as Relações Públicas em sua essência traz essa possibilidade de renovação, pois o equilíbrio é um dos seus principais alicerces.

Por isso temos que para de discutir tanto e começar a trabalhar, só através do trabalho poderemos mudar alguma coisa. Isso se realmente quisermos

Por Danilo Marinho

terça-feira, 3 de maio de 2011

Storytelling é um jeito de pensar a comunicação

Com a convicção de que storytellling não é uma técnica, mas sim um jeito de pensar a comunicação organizacional, Marcelo Douek entende o formato como superação de um cenário de sobrecarga informativa e de um estilo intrusivo de comunicar. A tendência é ter cada vez mais dificuldade em atrair atenção dos públicos de interesse, então os esforços de qualificação do discurso devem ser prioridade. Este é o panorama sobre o qual foi desenvolvido o curso “Storytelling aplicado à Comunicação Interna” junto à Associação Brasileira de Agências de Comunicação/Abracom no dia 27 de abril de 2011 no Espaço JK em São Paulo/SP. O tema é considerado uma novidade na gestão e na comunicação e tem interessado diferentes profissionais e setores de negócio.

A diversificação de canais e sua intensa digitalização levam a uma onipresença das marcas nas vidas das pessoas, o que dificulta a fixação de conteúdos ou sua diferenciação. Por outro lado, as redes sociais emergem como potencializadoras de diálogos e as relações mais pessoais trazem a emergência das emoções. Se antes as empresas distribuíam relatos racionais, agora é a vez de outro tipo de abordagem. Douek, pós-graduado em Gestão Empresarial pela Business School SP e com cursos de especialização em Branding pela Kellog School of Management, Planejamento de Comunicação pela ESPM/Miami AdSchool SP e curso de Roteiro com Robert Mckee, tem defendido o uso do storytelling. História, diz ele, é uma seqüência de eventos organizados de forma especial, o que a torna capaz de influenciar pessoas, organizações e sociedades. Seu conteúdo expõe metáforas da vida que dão insights para compreender a natureza humana.

Outro componente importante das histórias diz respeito à proposta de um relato composto por exemplos, o que faz lembrar a teoria do Espelho sobre a capacidade do ser humano de aprender por imitação. Junto a isto, deve-se levar em conta que o ser humano é um ser social, e esta interação cotidiana via relatos de vida lhe é natural. Mais ainda, atendendo ao que o ministrante chama de Princípio de Linearidade, o homem tem necessidade de conferir sentido aos acontecimentos e a buscar causa e efeito nas ocorrências de sua trajetória, o que acontece quando verbaliza uma história sobre o que antes seria aleatório. Para Douek, contar histórias é a maneira mais poderosa de transmitir conhecimento, trocar experiências e aguçar a imaginação. Por meio delas é que as pessoas fortalecem suas relações e criam sua percepção de mundo. “Contar histórias é fazer escolhas e ter convicção sobre elas, com alinhamento à mensagem que se deseja comunicar”, acrescenta.

Ao estudar o processo cognitivo por trás das boas histórias é possível perceber que o storytelling envolve elementos ­ conflito, personagem, universo e trama ­ que precisam estar organizados de maneira correta para fazer sentido e tocar as pessoas. No curso, eles foram detalhados e exercícios foram feitos para entender melhor esta divisão e também inseri-la na “lógica dos três atos” e incrementá-la com elementos como o evento incitante e o clímax. Outra dinâmica envolveu a construção de personagem, com arquétipos, caracterização, qualidades observáveis e dilemas, camadas que tornam a trama mais interessante ao lado de outras definições como período, duração e localização dos acontecimentos a relatar. Douek explica que “o dilema faz uma história ganhar vida, justamente mostrando escolhas”, sendo que o universo ficcional (caso utilizado) precisa contemplar premissas sociais, naturais, político-econômicas e estilos de vida. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Medição de resultados começa no planejamento da ação e está sob impacto de mudanças sociais

Erra quem pensa que a coleta de informações sobre o desempenho de uma ação de comunicação interna, ou de resto em qualquer outra área da comunicação organizacional, acontece somente no final da implementação da atividade. Especialistas reunidos na Conferência de Performance em Comunicação Interna da International Business Communications/IBC deixaram bem claro: tudo começa no planejamento do programa ou projeto, quando são definidos os objetivos. Se existe inconsistência no início, os indicadores certamente acabarão falseados e não se obterá uma visão de seu impacto. O evento aconteceu nos dias 29 e 30 de março de 2011 no Hotel Park Plaza em São Paulo/SP, reunindo cerca de 50 participantes de vários locais do país.

Nelson Silveira, gerente de Comunicação Corporativa da GM do Brasil, traçou um cenário da complexidade do trabalho na área atualmente. Com a proliferação das mídias sociais e uma profunda e rápida transformação do cotidiano que desafia as formas tradicionais da comunicação ­ diante da amplitude de acesso a voz, há a criação de um campo global de exigência de transparência e acesso. 

O novo paradigma sai da audiência de massa para a de nicho, com engajamento ativo e voz individual, numa economia de baixo custo de produção e transmissão. Ao invés de Publisher profissional, abre-se espaço para a auto-publicação descentralizada. Ele assinala que existe hoje um deslocamento de credibilidade para discursos individuais mais próximos, e o posicionamento das organizações deve partir para um caminho de especialista influenciador em determinados temas. Para tanto, “os relacionamentos continuam sendo cruciais, porque se vende afinidade e não produtos, onde o diálogo e a sinceridade são fundamentais”, pontua.

O alcance deste estilo de interagir é alto e chega a ferramentas de gestão, que precisam ser mais participativas. Silveira complementa: “o resultado é que não se trata de forçar oportunidades de comunicação, mas sim acompanhar a dinâmica dos processos de mudança”. É assumir um papel social mais abrangente para ampliar conexões com diferentes redes, o que viabiliza o monitoramento do ambiente externo e os seus impactos internos, na consciência de que “as redes são uma radicalização do boca-a-boca”. 

A presença digital corporativa não pode prescindir do encorajamento a entabular conversações, com resposta rápida e atitude no gerenciamento de problemas, sempre proporcionando conteúdo relevante. Para ele, deve haver parâmetros para engajar-se em debates, alguns inclusive nem merecendo retorno como comentários excessivamente agressivos. Para cada caso, é preciso pensar sobre exposições, engajamento, influência e ação, elementos-base para mensuração de resultados. 

O gerente ainda falou sobre seu portal de comunicação interna, chamado Sócrates, um canal de informação, relacionamento e oferta de serviços, e sobre um fórum para empregados, criado em janeiro de 2011, e já com 10 mil membros e 300 discussões em andamento. Há na multinacional um blog para expressão exclusiva dos funcionários, chamado myGM Employee. Ele ainda ressalta que a equipe possui uma GMId para acesso remoto fora da empresa. No entendimento do representante da GM, somente depois de instaurar-se este tipo de compartilhamento é que a empresa pode efetivamente medir resultados.(ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo (São Paulo)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Diálogos entre a Comunicação Organizacional e Educação - analogias sob a ótica social



Inspirado no artigo de Aurélio Favarin – Quem acredita na gente? – publicado no portal Nós da Comunicação, resolvi, em primeiro lugar comentar o seu texto, mas como sabia que falaria muito, decidi transformar este comentário num escrito. Estou passando por uma situação parecida. Migrei para o sul do país a fim de aprofundar os estudos e a carreira profissional, recebendo recomendações, desde familiares até a mídia de que a região sul é a mais fria do país. E ao chegar lá, acredite se quiser, uma garota comentou dizendo que o estado era o Recife e não Pernambuco.

Não obstante, em outra situação; um programa de TV levou ao congresso o mapa do nordeste perguntando aos parlamentares onde ficava o Estado de Pernambuco. A maioria não sabia onde ficava. Mas todos sabem onde fica a Bahia?! É o que acontece quando externo as primeiras palavras para alguém desconhecido. “Você é baiano?”

Parece irrelevante essa contextualização, mas, em termos de comunicação e, sobretudo de educação, não podemos deixar de lançar luz sobre essa complexidade. Onde e como entra o papel dos meios de comunicação social em nosso cotidiano?

Ao que me parece, o que está por traz desse tema é uma questão de fundo, que tem sua pedra fundamental na educação – enquanto formação de cidadãos. Em termos de geografia e história do Brasil já ouvi comentários em escolas de ensino fundamental como: a capital de Pernambuco é... Fortaleza? Ou “porque você fala assim?” Se referindo às varações fonéticas dia, djia, tio, txia. Mas aí já entraríamos em outra discussão, com teor linguístico. Talvez coubesse outro comentário (digo texto).

O papel da comunicação nestes ambientes também se faz presente, ao passo que é através dela que se processam dezenas de milhares de informações, derrubando estas mesmas fronteiras geográficas e aproximando a história recente de nosso país à realidade social de nosso tempo. Tendo a instituição de ensino como uma organização social com fins educacionais é preocupante para mim, enquanto comunicador, ter o cuidado de trabalhar essas particularidades.

Portanto, nos ambientes corporativos não é diferente. Admitindo que estes são um reflexo da sociedade, as organizações (empresas) também assumem papel de veículos de comunicação quando, de dentro de suas fronteiras saem profissionais propagando a ideia de que sua empresa é uma das melhores em que já trabalhou. Isto é, além de ser um ambiente onde se desenvolvem formadores de opinião, também ajudam a construir sua imagem e fortalecer sua reputação, ao se estabelecer uma relação entre mídia (formadora de opinião), empresa (formação profissional) e cidadão (mediador). É iminente e inevitável, para não dizer fundamental.

Por Danilo Mrinho