sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Música e Relações Públicas

Afinal de contas, o que é música, qual sua relação com as Relações Públicas? Esse tema tem me tirado o sono nos últimos meses. Conversando com alguns amigos músicos, estudantes e profissionais de relações públicas tenho percebido que a música está presente na maioria das situações que vivenciamos.

Seja tomando banho (cantando no chuveiro), seja, conversando com amigos nas praças, na sala da aula, debatendo algum tema, ou ouvindo música enquanto lavamos os pratos, varremos a sala, ou limpamos nossos quartos. Partindo do pressuposto de que música é qualquer elemento sonoro, então a voz humana emitida já pode ser considerada música. Entretanto, o conceito de música é bastante abstrato e muito particular. Na condição de um fenômeno cultural, ela só funciona também porque é um fenômeno de comunicação. Desse modo, poderemos chegar a algumas discussões preliminares: a música contém comunicação? A música faz uso da linguagem?

Segundo Peirce, toda e qualquer produção e expressão humana são questões semióticas. Assim, esse fenômeno, como tantos outros, só se comunicam porque se estruturam como linguagem. Isto é, todo fato cultural e práticas sociais se constituem como, fundamentalmente, partes integrantes de um processo, pois todo processo comunicativo faz uso de signos, significados e significantes. A música é mais um integrante desses processos, seja na condição de coadjuvante ou protagonista. Ela enquanto linguagem carrega consigo um grande potencial cognitivo, através de suas modalidades.

A musicalidade é uma dessas modalidades que fazem parte do repertório em que se desenvolvem os processos de comunicação. É aí que reside o grande diferencial para os profissionais de Relações Públicas. Segundo Margarida Kunsck,

As relações sociais que ocorrem no processo de comunicação envolvem o emissor, receptor e seus efeitos recíprocos um no outro à medida que se comunicam. Quando um emissor é intimidado por seu receptor durante o processo de envio de uma mensagem, a própria mensagem e a interpretação dela serão afetadas”. (KUNSCH apud HALL. 1984, p.133)

Estes são os elementos básicos que também compõem a produção musical: emissor (compositor), mensagem (produto musical) e receptor (ouvinte). Nesse contexto, o profissional de relações públicas tem a possibilidade de, parafraseando o músico Leonardo Correa, manipular o som, a fim de comunicar.

Desde a Segunda Guerra que a música é utilizada como estratégia de comunicação, na época para fins não tão nobres, mas hoje, a música enquanto produto cultural representa uma evolução significativa, pois acompanhamos de perto a sua aplicação de caráter pedagógico nas escolas primárias em tratamentos terapêuticos como a musicoterapia. Segundo dados do IBGE, a música, enquanto manifestação cultural representa 38,7% e a atividade musical em todo o país representa 47,2%. Esses dados por si só justificam o uso da música nas estratégias de comunicação pelas organizações.

No ambiente organizacional tratamos de públicos, de pessoas. Dessa forma, a complexidade existente dentro do ambiente organizacional pode se tornar um grande pano de fundo para se construir relacionamentos com base no respeito, confiança e responsabilidade social. Inclusive esses são valores intrínsecos à música e musicalidade. Gutierrez afirma:

“A comunicação no ambiente empresarial e dele com os públicos está alicerçada na compreensão daquilo que se pretende transmitir, na linguagem comum que estabelece o universo de debates e efetiva o diálogo...” (GUTIERREZ, 2003)

“Transmitir na linguagem” (sugerindo aí a música) o estabelecer efetivo do diálogo, pois a musicalidade permite a comunicação, ou interação entre dois sistemas ou organismos.

Relações Públicas é em sua essência a prática dos relacionamentos entre diversos grupos, nas diferentes esferas da sociedade, cultural, econômico, político, social, mercadológico. No entanto, fazer uso de meios, que vão além da simples aplicação de técnicas mecanicistas, pressupõe a adesão de uma perspectiva democrática, em que, efetivamente, todos possam participar.

Por Danilo Marinho