segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Desafios da gestão multicultural fazem parte do cotidiano dos comunicadores

A proposta era refletir sobre as formas de resolver questões interculturais para adquirir vantagens competitivas que fortalecessem a posição da organização num mundo globalizado e identificar perspectivas culturais que são geradas quando campanhas de comunicação para corporações globais são implementadas, a partir de indicadores de comportamento. E o desafio foi vencido pelo consultor mexicano Salvador Apud, que esteve em São Paulo/SP para o treinamento “Comunicação Intercultural: Cultura, Diversidade e Comunicação”, organizado dentro do Programa de Cursos Avançados Internacionais da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial/ABERJE durante todo o dia 12 de agosto de 2009.

O instrutor é associado sênior do Instituto de Formação em Gestão Intercultural/ITIM Internacional para as Américas. Ele começou discutindo problemas de enfoque nas estratégias de absorção de indicadores culturais de outros países, a começar pelas opções de livros do tipo “como fazer negócios em...”, porque trazem a perspectiva de uma única pessoa e uma única visão de vida, sem adequação à realidade do leitor. Outro erro freqüente apontado diz respeito às prioridades de disciplinas dos cursos de Relações Internacionais. Pesquisa da consultoria Pricewaterhouse Coopers, com executivos experientes de grandes empresas, aponta que as diferenças de legislação, contábeis e fiscais e até as diferenças de práticas de gestão recebem menos atenção ou preocupação do que as alterações de comportamento individual e as diferenças culturais. Outro processo normalmente equivocado nas estratégias de globalização das empresas, na opinião dele, acontece na exportação ou abertura de unidades no exterior sem ter antes uma consolidação no próprio país. Há uma série de organizações com forte presença internacional sem ainda ter uma política de relacionamento cultural definida. A tendência à padronização de comportamentos, métodos e estruturas conforma outra situação de erro comum. “Há um limite na uniformidade de políticas e técnicas. Cada organização, para ser efetiva, precisa de uma cultura, de um modo de fazer as coisas. Os conceitos que existem sobre isto estão obsoletos”, assinala.

Ainda outra questão foi questionada por Apud: o uso de livros e seus modelos de gestão e comunicação estrangeiros, que têm validade como ponto de análise, mas não compreendem as dinâmicas de outras comunidades, dadas as evidentes distâncias culturais. Há, conseqüentemente, um desenho e uma produção de campanhas de comunicação impregnadas de erros pelo descuido com os ambientes interculturais. E todos os elementos básicos da comunicação recebem impacto, como a linguagem e as reflexões sobre tradução textual e significado, os valores, o estilo de comunicação verbal e não-verbal e as variações de conteúdo e contexto, a matriz de comunicação com ênfase no gênero interpessoal ou nos meios e ainda o estilo retórico. Ele comenta que “quando as práticas e teorias de comunicação viajam através das fronteiras nacionais, sua efetividade é inversamente proporcional à distância cultural entre os países de origem e destinatário”. Toda gestão envolve os juízos etnocêntricos e os choques culturais e por isto “alcançar a unidade global através da incorporação da diversidade cultural é uma das metas mais transcendentes hoje. E o primeiro passo é tomar ações para compreender a situação intercultural”. O desconhecimento frente a estas questões leva a resultados negativos significativos frente às fusões internacionais, de acordo com apontado por pesquisa da KPMG: 54% delas destruíram valor, 30% não permitiram detectar avanços e somente 17% agregaram valor. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Relações públicas precisam de institucionalização

O maior desafio contemporâneo da área de Relações Públicas é a necessidade de sua institucionalização como fundamental para a gestão estratégica das organizações. Essa é a opinião do consultor e pesquisador norte-americano James Grunig - um dos grandes gurus da comunicação corporativa mundial ­ manifestada em uma série de compromissos com executivos, professores e profissionais brasileiros na primeira semana de agosto de 2009 em São Paulo/SP. Ele esteve no país com a proposta de lançar seu primeiro livro junto a uma editora nacional, intitulado "Relações Públicas: Teoria, Contexto e Relacionamentos", escrito em co-autoria com os professores Maria Aparecida Ferrari e Fábio França. O evento oficial, organizado pela Difusão Editora, contou ainda com a palestra "Como sobreviver em contextos vulneráveis - As Relações Públicas como estratégia de relacionamentos", e aconteceu no dia 6 de agosto no auditório da FAPCOM na capital paulista.

A obra reúne teorias, práticas e experiências dos autores e está dividida em três partes. Na primeira, Grunig apresenta um quadro teórico para o exercício da profissão, levantando a definição e o posicionamento das relações públicas (atividade responsável pela gestão da comunicação nas organizações). Seu reconhecimento global, aliás, tem feito de seus trabalhos fontes de informação para a análise do mundo corporativo atual e referência obrigatória em universidades norte-americanas e de países de outros continentes, como Europa, Ásia e África. Na segunda parte, Ferrari discorre sobre a profissão e suas práticas no contexto latino-americano e, na finalização, França aborda a gestão de relacionamentos corporativos, analisando os públicos prioritários das corporações. Importante fonte de conceitos, o livro traz a maior pesquisa internacional já realizada sobre o processo da comunicação nas organizações.

Para Maria Aparecida, “as relações públicas estão mais vivas do que nunca”. Ela assinala que a realidade norte-americana é bem distinta da América Latina, no sentido da absorção de profissionais da área, e então mais do que nunca “precisamos de obras que revisem nossos paradigmas”. Fábio França destaca que a ação de RP se estabelece por meio de relacionamentos, que levam ao conhecimento de perfil, preferências e demandas das pessoas como indivíduos e grupos. Por isto, suas pesquisas têm enfocado os relacionamentos corporativos, sua administração estratégica para obter resultados e respostas positivas para todos os agentes, de maneira permanente.

Grunig acredita que a temática das relações públicas no contexto da recessão mundial mereça análise, o que ressaltaria a relevância do livro. Em sua visão, a maioria das organizações parecem pensar que podem viver sem o relacionamento com os públicos. Ele reconhece que RP foram reconhecidas no Brasil de forma diferente dos Estados Unidos, país onde mesmo entre profissionais atuantes não há uma conceituação única ou dominante. A abrangência brasileira é maior, porque não prioriza uma das três partes mais tradicionais de exercício profissional: relação com os meios de difusão de mensagens, função de marketing e função de gestão estratégica como ativo participante dos processos de tomada de decisão, para o que seria fundamental a capacidade de análise de cenários e o desenvolvimento de pesquisas sobre as expectativas dos públicos. Esta última área, na opinião do especialista, seria a mais completa e mais promissora para a consolidação da profissão. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Marketing promocional busca experiências com conteúdo memorável

A utilização de ferramentas de marketing promocional em ações de comunicação de empresas cresceu significativamente. No Brasil, apenas em 2008, o mercado movimentou R$ 27 bilhões, com crescimento de 17,4%. Foi justamente para dimensionar a abrangência da área e compartilhar boas experiências que onze palestras foram previstas no Seminário Promo Tendências, organizado pela Forma Editora. O evento aconteceu dentro da programação da feira Brazil Promotion, realizada entre os dias 4 e 6 de agosto de 2009 no Transamérica Expo Center em São Paulo/SP.

Para Paulo Giovanni, diretor da Mix Brand Experience, com informação acessível e abundante há uma mudança nas zonas de influência de opinião. Se os consumidores não se agrupam mais por sexo, idade, localização geográfica, e sim por afinidades, é preciso reinventar as maneiras de segmentação. Junte-se a isto, para tornar o panorama ainda mais complexo, o fenômeno da instantaneidade e da efemeridade. Neste sentido, é obrigatória a oferta de experiências memoráveis para garantir a repercussão e a lembrança e apreço pelas marcas. O executivo listou uma série de cases, como o projeto Whopper Sacrifice, que buscava promover o sanduíche da Burger King e criar uma experiência divertida e inovadora na rede social Facebook. Para tanto, incentivava que os participantes sacrificassem 10 amigos de sua lista digital para ganhar um whopper. Quase 300 mil pessoas foram excluídas dos perfis e o assunto ganhou popularidade. Como a sistemática era contrária à proposta integradora do Facebook, acabou proibida pelo canal. Ele ainda cita o técnico de futebol Mano Menezes, que tem no Twitter mais de 630 mil seguidores, um número superior à tiragem diária do jornal Folha de S.Paulo. “Hoje o conteúdo é igual a entretenimento mais informação. É preciso criar experiências com as pessoas”, manifesta. Neste caminho, o investimento preferencial ou exclusivo em propaganda não se sustentaria mais. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

sábado, 8 de agosto de 2009

Cidadania corporativa está na base de uma sociedade sustentável

A sétima reunião de 2009 do Comitê de Sustentabilidade da ABERJE ­ que atualmente reúne as Associações Brasileiras de Comunicação Empresarial, Branding e Comunicação Organizacional ­ mostrou que, mais do que desenvolvimento sustentável, é preciso adotar o conceito de sociedade sustentável como eixo da estratégia de negócios. O encontro aconteceu no dia 4 de agosto em São Paulo/SP, quando apresentaram visões corporativas para o tema Alexandre Alfredo, diretor de Relações Institucionais da GE na América Latina, e Sergio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, um dos maiores do setor de celulose, papel e embalagens. A coordenação foi do consultor e jornalista Ricardo Voltolini.

Na abertura, o diretor-geral da ABERJE Paulo Nassar assinalou que o comunicador é um ser político e intelectual, e neste sentido precisa dar conta da complexidade dos comportamentos e das dinâmicas sociais. Com isto, afasta-se bastante da visão instrumental e técnica que se via no cotidiano das organizações para virar um pensador. Referindo-se ao nível de importância de todos os interlocutores, sem supremacias de poder, no estabelecimento das políticas de relacionamento corporativo, ele destaca que “não dá para responder às demandas atuais em mesas quadradas, com o mito do justo e do injusto”.

Com operações no Brasil desde 1919, a GE possui oito instalações industriais no país, distribuídas entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A empresa emprega cerca de seis mil pessoas no País e tem sua matriz instalada na capital paulista. Todos os 11 negócios da GE, em maior ou menor proporção, mantêm atividades em território brasileiro - de manutenção para motores de aviões a geração de energia, passando por serviços financeiros, eletrodomésticos, equipamentos de diagnóstico por imagem e plásticos de engenharia. Alfredo, que é bacharel em Comunicação pela FIAM e possui mestrado em Jornalismo pela Universidade de Boston/EUA, atuou por mais de 10 anos em publicações no Brasil e nos Estados Unidos e possui uma sólida experiência em Comunicação Corporativa, Relações Públicas e Gerenciamento de Crise, adquirida em cargos de liderança em companhias, como Editora Abril, Ponto.Com, Edelman e Weber Shandiwick, antes de ingressar em 2008 na General Electric.

Ele assinala os pilares da atuação da empresa, baseados no ser “glocal”, em respirar inovação, construir relacionamentos e ampliar a marca, exercendo a cidadania corporativa através de um comportamento pró-ativo na proposta de ser um bom cidadão. O modelo de negócio envolve ser rentável (performance econômico-sustentável), trabalhar de maneira ética e fazer a diferença através da criatividade. Segundo estes preceitos, o empreendimento transformou a “economia do ontem” baseada estritamente em resultado numa visão de sustentabilidade ambiental, social e econômica. O executivo pontua que o panorama atual exige uma conduta em que os caminhos passem por boa governança, inovação e mobilização de talentos, por meio de uma série de programas e ações. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

sábado, 1 de agosto de 2009

Planejamento agrega valor no trabalho dos comunicadores

A área é híbrida, agrupa múltiplas formações universitárias, tem diversidade de estilo na estruturação de setores e vê um uso simultâneo de várias terminologias para nominar a mesma atividade. Estas foram as manifestações iniciais da relações públicas, jornalista e publicitária Izolda Cremonine, que desenvolveu o curso “Como Criar um Planejamento de Comunicação Institucional”na ABERJE em São Paulo/SP no dia 30 de junho de 2009. A platéia de 28 profissionais de sete estados brasileiros era um exemplo vivo da constatação: empresas criando a área de Comunicação em suas estruturas convivendo com organizações em estágio avançado no tema e responsabilidade atribuída a matemático, historiador, psicólogo, contador, engenheiro e administrador, além das graduações em Comunicação Social.

O processo de globalização trouxe como importante conseqüência a criação de um novo cenário para o mundo corporativo. As distâncias cada vez menores entre os países tornaram mais amplas as dimensões de negócios, transformando-o em um enorme campo para a atuação empresarial. A competitividade agora vai muito além das relações mercadológicas e da qualidade dos bens produzidos. Neste novo contexto, reputação e visibilidade empresarial adquirem um precioso ''valor de troca''. A imagem pública positiva torna-se um poderoso capital, onde a marca corporativa se transforma em fator de sucesso. Izolda parte da premissa que não se faz comunicação sem clareza da cultura empresarial, como conjunto de normas, valores e comportamentos individuais ou coletivos, que contribuem para definir a identidade da organização. Envolve o modelo de gestão, a área de atuação, o tempo de existência, as interfaces e mudanças internas, a localização geográfica e os conseqüentes regionalismos, a disposição de interrelacionar-se publicamente, tudo conformando o clima organizacional que embasa os planos de comunicação. A partir destes parâmetros é que são estruturadas as políticas de relacionamento. Toda tomada de decisão na área, conforme relata a especialista, parte de diretrizes como considerar e respeitar a opinião pública, tornar comum os conceitos e entendimentos, manter um diálogo constante com os públicos e salientar o comprometimento dos empreendedores. “Com isto, instaura-se uma noção do papel estratégico da comunicação, aceitando o papel dos formadores de opinião e definindo as políticas com o planejamento da comunicação externa e interna”, explica.

O foco é enfrentar os julgamentos éticos de percepções, impressões e opiniões de uma diversidade de grupos. Ela assinala que quanto maior a exposição, maior a transparência, e por isto junto deve haver um senso de prevenção. Há uma separação entre imagem mercadológica referida à marca do produto e imagem institucional ligada à reputação da organização. As relações mercadológicas tratam do que o consumidor quer da empresa (produto de qualidade, preço compatível, fácil acesso) e o que a empresa quer do consumidor (satisfação e lealdade). Já as relações institucionais manejam com o que o cidadão espera da empresa (postura ética, responsabilidade financeira, compromisso social, atuação responsável) e o que a empresa espera do cidadão (reconhecimento público). (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo