segunda-feira, 30 de março de 2009

Intercâmbio é um ótimo combustível para a interação

O Clube do RP de Pernambuco bateu um papo com Carolina Terra. Na conversa ela também falou sobre sua escolha pelas relações públicas, sobre a importância dos blogs e o que motivou a escrever o livro blogs corporativos. É só conferir.

Clube do RP: Por que Relações Públicas?
Carol Terra: Porque é a atividade mais completa de comunicação social, somos gestores, moderadores, embaixadores e mediadores. Isso simplesmente me encanta!

Clube do RP: O que te motivou a escrever o livro Blogs Corporativos?
Carol Terra: Foi decorrente da minha dissertação de mestrado em que tratei da internet como o futuro das relações públicas na rede. Um dos capítulos era um estudo de caso com oito blogs e aí ofereci à editora que topou o desafio de transformá-lo em livro. Deu super certo.

Clube do RP: Qual a importância dos blogs na atualidade?
Carol Terra: Os blogs são mídias, fazem parte de uma sociedade que tem os meios de comunicação e os usuários que se tornaram veículos também. Os blogs são instrumentos de diálogo, de comunicação simétrica e de relacionamento. Por isso são importantes no dia a dia do comunicador e das empresas.

Clube do RP: Pretende escrever um segundo livro?
Carol Terra: Sim, pretendo falar sobre redes online e comunicação. Aguardem! Projeto no forno...

Clube do RP: O que achou da iniciativa do Clube do RP para a profissão?
Carol Terra: Sencacional. Acredito que esse tipo de iniciativa que congregue e reúna profissionais e interessados em torno desse tema faça a nossa profissão brilhar e conseguir mais adeptos. Fora que a iniciativa em si é uma valorização à atividade e uma forma genuína de difusão dos conceitos que propomos aos nossos clientes, empresas e associados.



Por Danilo Marinho

sexta-feira, 27 de março de 2009

Jogo dos sete erros

Não sei se vocês, caros leitores concordam comigo. A maioria dos comerciais veiculados na televisão tem um teor sexual, um quê de sensualidade, que chega a deixar qualquer marmajo plantado em frente a TV esperando o "plim plim" com a garota de Ipanema de sua cidade... ahh...

Por que será que isso acontece? Acredito que seja porque vivemos em um país tropicpal, abençoado por Deus e bonito por natureza. Será?

Fiquei pensando nisso porque assistindo a programação do rádio ou da TV sempre percebia que, comercial, publicidade, propaganda, ou seja, a maioria desses meios de comunicação de massa quase sempre aborda, de diversas formas, a questão sexual. Tá certo, se você ainda não se convenceu, basta assitir ao inevitável BBB. Uma vez numa palestra o profissional perguntou para que serviam as matérias nos jornais. Todos na sala foram unânimes em dizer: "para informar, relatar os fatos, etc" Estávamos errados.

"É apenas para separar a publicidade", disse ele. Isso também se estende para a TV e o rádio.

Cara, que doideira, como é que os veículos e meios de comunicação abrem tanto espaço, mais do que o necessário para a publicidade. Tentem assistir algum filme, seja ele tela quente, fria, sessão de sábado, quando não é o Hulk,, tela de sucessos, etc. cheguei a contar a quantidade de intervalos enquanto assistia a um filme outro dia. 23 intervalos. Será que é por causa da crise?

As estratégias de marketing e publicidade diferem muito das estratégias de relações públicas. Já pararam para analisar esses comerciais: Qual desses comerciais é uma estratégia de marketing, uma mera ação de publicidade ou uma estratégia de relações públicas? É um bom exercício.

Para os menos atentos, parecerá realmente um jogo dos sete erros que encontramos inclusive no jornal de domingo.

Estratégias de relações públicas se aprofundam mais, por adentrarem em questões políticas, sociais e filosóficas. Já as estratégias de marketing ou publicidade se reduzem, somente, ao visualizarem no "target" sua inserção no mercado.

Seus objetivos são bastante claros. Um em curtíssimo prazo, outro em logo prazo. Essa é uma diferença básica entre as RP, Marketing, Publicidade e afins. Paradoxalmente elas são interdependentes quando se trata de comunicação integrada. Então existe diferença entre as duas dentro desse contexto, ou isso é mais um motivo para confundir nossas cabeças?

Vamos pensar !!

Por Danilo Marinho

quinta-feira, 26 de março de 2009

Conversação é a ordem na comunicação digital

Experiências em comunicação digital apresentada em painel do 9. Mix de Comunicação Interna e Integrada, realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial no dia 12 de março de 2009 no Novotel Jaraguá em São Paulo/SP, deixaram os participantes com inúmeras idéias na cabeça. Atentos a um novo cidadão emergente das possibilidades interativas das plataformas web 2.0, onde a conversação livre e sem hierarquia ganha o foco, os cases da HP, IBM e Grupo Santander Brasil apresentaram algumas alternativas para manter a atratividade e o engajamento junto aos funcionários.

“Intranet Corporativa Santander”, trabalho vencedor do Prêmio ABERJE Brasil na categoria de Mídia Digital, foi o tema tratado pela executiva Solange Ferrari de Lima, sobre as características e a tomada de decisões para implantação da intranet corporativa do Banco Santander, um processo de padronização e interligação de intranets de todo o Grupo em 40 países e seus 240 mil funcionários. O trabalho envolveu equipes multidisciplinares internacionais para ajustar um portal de entrada centralizador de informações geradas por grupos nacionais. O processo de criação do canal foi de intensa conversação sobre as necessidades cotidianas, em termos de formulários eletrônicos, normas em formato mais amigável, agrupamento de conceitos de produtos, apresentação institucional.


O enfoque era o senso de co-responsabilidade e valorização de diferentes protagonistas, mais do que considerá-los apenas “público-alvo”. Foram 14 meses de estruturação, onde foram articulados workshops, distribuídas camisetas aos gestores, veiculados teasers por email e publicados um guia de uso impresso e outro eletrônico para melhor navegação e contribuição de todos. Toda a interface com os fornecedores foi determinada para acontecer sem vocabulário técnico, para clarear as demandas e as alternativas sem erros, inclusive permitindo melhor cobrança de prazos e resultados.

A intranet agora é o ponto central do trabalho de comunicação da instituição, numa história iniciada por um estagiário, considerado internamente o melhor especialista do tema e hoje promovido a gerente da área. Hoje, o espaço tem o jornal diário Idéias Online, a home é modificada diariamente e mais de 350 ferramentas de trabalho estão disponíveis, incluindo o ponto eletrônico, realizado através do login de entrada no computador. A intranet corporativa é acessada pela mesma página em todo o mundo, com opção por quatro idiomas, e depois um conteúdo padrão interno é mostrado para aí chegar numa intranet local customizada por país. Há canais predeterminados para atualizações, incluindo um blog do Presidente. São três milhões de páginas com 10 milhões de acesso por mês no Banco, afora o acréscimo mensal de outras 14 mil páginas por 164 gestores de conteúdo.


Com o título “HP Brasil: engajamento digital”, case finalista do Prêmio ABERJE São Paulo na categoria Mídia Digital, a Gerente de Comunicação Corporativa da HP Brasil, Luciana Panzuto, relatou a utilização de um mix de ferramentas. A HP envolve em todo o mundo mais de 311 mil funcionários e uma ampla rede de parceiros, sendo mais de 140 mil em vendas e outros 70 mil em serviços. No Brasil, em quatro fábricas há mais de oito mil colaboradores, afora três mil parceiros, 25 mil canais de venda e distribuidores e parcerias com mais de 28 instituições universitárias, mostrando o tamanho do desafio de obter engajamento de públicos com interesses tão diversos e pulverizados. A dinâmica da produção e distribuição de informação digital atual é muito alta, na opinião da publicitária, baseada no estudo "The Expanding Digital Universe”, do IDC nos EUA e realizado em 2007, que apontava que no ano anterior, o volume de informação digital criado em todo o mundo foi de 161 exabytes ou 161 bilhões de gigabytes – superior ao produzido em todos os livros já escritos. Entre 2006 e 2010, o volume de informação terá crescido mais de seis vezes, ou 988 exabytes.

O desafio dos comunicadores então passa pelo gerenciamento de conhecimento, em que a cultura de compartilhamento é fundamental. Neste sentido, iniciativas internas de network são reconhecidas e recompensadas individualmente ou em grupo com firme apoio da liderança. “Funcionários engajados sabem onde a empresa quer chegar e querem colaborar com esses objetivos”, aposta ela, sendo que para tanto é preciso fornecer instrumentos adequados.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

terça-feira, 24 de março de 2009

Interaction Baby

Passeando pelo centro do Recife é possível perceber a grandiosidade e simplicidade dos prédios antigos. Os sobrados "altos e magros", principais edificações que caracterizam a cidade fazem até parte do cotidiano de uma parcela da população.

Existe uma relação muito íntima entre essas edificações e a própria história da cidade, juntamente com sua população. Apenas isto já seria suficientemente razoável para servir de mote para estudos de comunicação e cultura.

Quando falamos em comunicação, devemos levar em consideração alguns aspectos que dizem respeito à sua relação com com o meio ambiente. O ser humano sempre procurou se estabelecer em lugares que possibilitassem conforto e sobrevivência.

Para isso seria necessário formar relações com o meio que pudessem proporcionar tais benefícios. Em nosso tempo, as inovações tecnológicas nos deram essa possibilidade. Os investimentos em pesquisa e ciência garantiram a evolução nos processos de interação entre a sociedade e o meio ambiente.

Muitas foram as tentativas de construir salas, prédios e casas, sempre com o objetivo de abrigar as pessoas da melhor maneira possível. Adequado usar o exemplo que veio de Minas Gerais, onde se construiu um ginásio poliesportivo exclusivamente para portadores de deficiência. O que esse investimento significa? Em primeira instância parece ser um questionamento bastante relevante visto que todo esse debate que gira em torno da inclusão social, a criação da ISO 26000, de certa forma obrigaram às organizações e governos a se adaptarem a essa nova realidade.

É impressionante como conseguimos achar uma conexão entre as relações públicas e todos esses aspectos, como no exemplo citado. Um dos princípios ativos das relações públicas é a inclusão social e interação. Interação entre sociedade/governo, sociedade/organizações, organizações/governo, enfim, o complexo sistema de relacionamentos em que se envolvem todas as castas da socidade moderna. E meio a tudo isso está o profissional de Relações Públicas.

Uma coisa que encontrei no livro de Paulo Nassar "Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no resgate da memória institucional das organizações", se refere a isso que exponho, à relação entre os aspectos arquitetônicos, históricos, sociais, políticos e cultutais, atrelados aos conceitos de comunicação e suas interfaces.

Não esqueçamos que Obama injetou um pouco de ânimo na economia dos Estados Unidos, ou seja: "Dias melhores pra sempre..." (Jota Quest)



Por Danilo Marinho

quarta-feira, 18 de março de 2009

Responsabilidade Social, quando devemos utilizá-la?

Existem registros de que a responsabilidade social já era utilizada como uma ferramenta estratégica ainda no início do século XX. Alguns argumentos e conceitos foram construídos de lá para cá e, o quadro que se firmou, foi de argumentos a favor e argumentos contra a responsabilidade social.

Nas primeiras décadas do século XX os argumentos contra a responsabilidade social pautaram-se mais amplamente e contraditoriamente pelo prêmio nobel de economia. Como assim, mas o prêmio nobel é dado àquelas pessoas que fizeram coisas significativas, relevantes e, de certa forma, transformaram a realidade, né?

Alguns desses argumentos defendem a tese de que a empresa precisa medir seu desempenho no mercado e os programas de ação social muitas vezes não conseguem medir esses índices de sucesso. Portanto, a função da empresa é maximizar lucros. Assim, exigir recursos destinados aos programas de ação social seria um desperdício e violaria as metas da empresa. E ainda, o custo dos programas sociais seria um ônus para a empresa que teria de ser repassado para os consumidores na forma de aumento nos preços dos produtos e serviços.

Por outro lado, alguns teóricos defendem a responsabilidade social nas empresas argumentando que ela caminha de mãos dadas com o poder social. Ou seja, uma vez que as empresas se configuram como um dos pernsoagens mais importantes na economia da vida contemporânea, tem por obrigação assumir a responsabilidade correspondente.

Dessa forma, teoricamente, é do melhor interesse da empresa contribuir para que a comunidade em seu entorno esteja em uma ambiente saudável economicamente, socialemte, culturalmente e politicamente. Programas de responsabilidade social ajudam a evitar que pequenos problemas de qualquer ordem possam interferir nos seus processos internos, podendo se tornar grandes crises empresariais.

Os anos foram se passando e esses conceitos e características, herdados de algumas teorias da administração ainda são muitos presentes dentro das empresas. Algumas delas adotaram a responsabilidade social como política e outras utilizam apenas com fins de solucionar problemas pontuais.

A responsabilidade social já foi analisada sob diversos aspectos, em alguns deles foram utilizadas abordagens que supunham que um dos principais objetivos da empresa seria seu sucesso econômico. Outra abordagem sugeria que não somente o sucesso econômico fosse um dos principais objetivos da empresa, mas agora também a preocupação com objetivos sociais.

Ou seja, a empresa deveria destinar recursos econômicos para a realização desses objetivos sociais. E uma terceira opção supõe que os objetivos econômicos e sociais não seriam suficientes, mas a antecipação de problemas sociais futuros e a ação prática em resposta a esses problemas deveria ser a tônica nas empresas.

Por onde passei ouvi as pessoas comentarem que responsabilidade social é hoje uma das principais ferramentas para o desenvolvimento social. Acredito, no entanto, que a responsabilidade social se constitui como elemento fundamental para a própria sustentabilidade empresarial. Como disse Yacoff Sarkovas: "Uma marca não se sustenta mais só com publicidade. Hoje não basta mais falar, é preciso agir".

Vale salientar que a sustentabilidade se tornou um termo de ordem global, pois sua própria designação implica em adotar novas políticas que preservem o meio, a sociedade, interesses públicos e privados.

Uma das profissionais com quem mantenho contato é Cláudia Vau, diretora executiva da agência de comunicação JJM Comunicação em Portugal. Em seu depoimento para o Clube do RP de Pernambuco ela faz uma análise histórica da responsabilidade social e seu impacto na sociedade moderna. Confira abaixo !


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Por Danilo Marinho

sábado, 14 de março de 2009

Metodologia avalia impacto de investimentos sociais

Como medir o efetivo impacto social das diferentes ações de responsabilidade social empreendidas? Como ultrapassar a abordagem restrita ao investimento per capita e abranger a multiplicidade de efeitos das ações sociais? Como dar conta dos efeitos das ações ao longo dos eixos espacial e temporal utilizando indicadores sócio-econômicos sem desprezar os atributos de imagem das corporações? As respostas não são fáceis e somente metodologias muito precisas podem colaborar no direcionamento dos investimentos no tema.

É o que se viu na palestra “A Responsabilidade Social e a Pesquisa em Comunicação Corporativa”, desenvolvida pela socióloga e diretora da CDN Estudos & Pesquisas, Cristina Panella, em aula especial no dia 4 de março de 2009 no Curso de Especialização em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas/GestCorp da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O encontro reuniu mais de 40 profissionais de nove estados diferentes, integrantes da turma de pós-graduação.

A palestrante postula que avaliar programas de responsabilidade social significa não apenas identificar a destinação e a forma de utilização do dinheiro investido, mas também a viabilidade social do projeto no qual está se investindo, se os objetivos do projeto são operacionalizados na prática e, sobretudo, o que acontece com os beneficiários do projeto. Por isto foi desenvolvida a metodologia para elaboração do Relatório de Impacto Social – RIS, um método que abrange aspectos tangíveis e intangíveis. Segundo ela, o processo foi criado pela constatação da falta de métricas e de profundidade de análise para escolhas de aplicação de verba das empresas na área social. E o mais importante é a perspectiva de que “a gente não pode medir aquilo que não foi colocado como meta, como objetivo, mas tudo pode ser medido”.

Um dos recados mais importantes da noite foi a proposta de mudança na compreensão do trabalho: pesquisa não é ferramenta, no sentido de que não se trata da aplicação de uma estrutura meramente técnica, mas sim conectada com a estratégia dos negócios. Neste sentido, a socióloga fala do “approach sistêmico”, significando uma comunicação eficaz estruturada de forma sistêmica, pensando sempre nas intersecções da comunicação institucional e mercadológica nos âmbitos interno e externo.

Enquanto a imagem reflete uma percepção de curto prazo e é baseada no impacto da comunicação como produto resultante da percepção de cada público, a reputação reflete uma percepção acumulada e sustentável a partir de julgamentos e sensações a longo prazo, cuja densidade é gerada pelos relacionamentos. Uma frase de Philip Kotler sustentou o pronunciamento - "toda empresa funciona num meio ambiente de públicos", o que evidencia a importância da administração de percepções, no sentido de determinar o peso real de cada opinião. Uma das estratégias de relacionamento com públicos é a inserção social empresarial, um terreno híbrido que envolve parcerias entre empresas, governos e organizações do Terceiro Setor para promoção do desenvolvimento com benefícios coletivos.

Faz parte do processo que cada pólo consiga alavancar seus objetivos, tendo como base a consciência sobre a interdependência de ações. Para as empresas especificamente, o canal de entrada tem sido a motivação institucional, mas também como resultado de uma pressão social pela responsabilidade. De uma fase inicial em que havia até aversão a falar em resultados, as empresas agora entendem como preponderante a medição de impactos. Cristina detalha: "há preocupação com desempenho em eficiência (processo) e eficácia (alcance de resultados)", por isto não deve haver constrangimentos em agregar valor à marca.

Utilizando a nomenclatura pra embasar sua visão, diz que as ações são sociais porque atingem a sociedade, são empresariais porque devem ser impulsionadas pelas áreas de competência da empresa e são responsáveis porque agem como transformadoras sociais. “É preciso sempre perguntar-se como as ações agregam valor à marca”, completa.Raramente as análises estão situadas na visibilidade social do projeto e no real impacto junto aos beneficiários, o que vem sendo questionado pela opinião pública e pela imprensa. Mesmo setores internos dos investidores estão mais rígidos quanto ao retorno das ações. (ler mais em mundorp.com.br)


Por Rodrigo Cogo / São Paulo

terça-feira, 10 de março de 2009

A Rainha

Esta semana o Clube traz o texto de um dos grandes autores sobre gestão de crise empresarial
Roberto de Castro Neves - www.imagemempresarial.com

Na madrugada do dia 31 de agosto de 1997, cheguei em casa voltando de uma festa. Naquela agitação que um pilequinho proporciona, cadê o sono? Como? para mim, televisão é mais eficaz que injeção de Vallium na veia, apelei para a droga. Passeando rapidamente pelos canais, o da CNN me chamou atenção: Paris, Pont de l´Alma, as câmeras mostravam o local onde acabara de ocorrer um acidente de carro. Acidente de carro? CNN interessada em cobrí-lo para o mundo todo? Humm, aí tem coisa - pensei. E tinha. A coisa que estava dentro do veículo acidentado era, nada mais, nada menos que Lady Di. Lady Di e seu namorado à época, Dodi Al-Fayed. Aí, se já estava com dificuldades para dormir, mais aceso, fiquei. Alguns minutos depois veio a informação: Lady Di tinha morrido. Tiete que era de Diana, fiquei chocado. Peguei um copo, entornei uma dose cavalar de whisky. Em seguida, liguei para uns amigos (obviamente para aqueles que tinham estado na festa, e que, portanto, certamente estariam acordados). Até hoje me são agradecidos por aquela ligação.

Isto posto, sempre acreditei ter sabido da morte de Lady Di antes da rainha Elisabeth II. Por quê? Porque (calculei) o processo que permite interromper o sono da soberana numa madrugada deveria ser complicado. Complicado e, por consequência, demorado. Que motivos seriam razoáveis para tanto? Guerra nuclear? Invasão do território inglês pelos franceses? Príncipe Charles saiu do armário? A notícia de outra travessura da menina má bem que poderia esperar o sol nascer para ser dada. Por outro lado, quem teria autoridade para fazer esse julgamento? Quem empacotaria a notícia, ou seja, de que forma ela seria dada? Quem, por fim, bateria à porta de seu quarto e, caso a rainha não ouvisse as batidas, quem estaria autorizado a ir até o leito real para cutucar o ombro da soberana e sussurrar em seus oouvidos: "Alteza... sujou"? Pelas minhas contas, o processo todo, descrito em detalhes no Manual de Operações em seu capítulo "Quando e como acordar a rainha em altas horas" entre o momento em que o telefone bateu no Castelo de Balmoral dando a notícia do acidente e o despertar de Elizabeth, levaria no barato, um par de horas.

Nove anos depois daquela noite, entrou em cartaz "A Rainha" [The Queen] do diretor Stephen Frears cujo enredo especula sobre os desdobramentos da tragédia.

Na versão de Peter Morgan, autor do roteiro do filme, a soberana teria sido acordada e informada do acidente antes de ser anunciada a morte da princesa. Assim, Elizabeth teria acompanhado pela televisão, junto ao marido, da rainha-mãe, comigo e com a torcida do flamengo, os últimos momentos da ex-nora. Sei não. Pelas razões que expus acima continuo achando que Sua Majestade só fio acordada depois da morte da ex-princesa. Quando forem abertos os arquivos da rainha vocês verão que estou com a razão. Dou minha cara à tapa se estiver errado.

Mas isso é absolutamente irrelevante. O importante é discutir o que o filme nos ensina sobre administração de crises empresariais ainda que Peter Morgan possa ter romanceado sobre o que aconteceu nos bastidores naquela noite e nos dias subseqüentes ao acidente.

Três dados considerados no filme são tidos como certos e, portanto, não derivam da imaginação do roteirista. Primeiro, com toda certeza, de há muito a Família Real estava puta da vida com a ex-princesa. Porque se, para o povo, Lady Di popularizou a Família e, de certa forma, humanizou-a, na visão dessa família, o comportamento de Diana, enquanto princesa, vulgarizou a imagem da realeza. E depois do divórcio, quando Lady Di soltou a franga de vez, aí então é que a vaca dessa imagem foi pro brejo também de vez.

O segundo dado concreto é que houve uma constrangedora demora no posicionamento da rainha em relação à morte da ex-nora. Pode-se especular quanto à razão dessa demora. Tudo leva a crer que a soberana não queria de fato participar do evento. No filme, a rainha se escora em razões protocolares: a ex-nora não pertencia mais à família uma vez que estava separada do príncipe Charles. E não se fala mais no assunto.

O terceiro dado é que a rainha acabou participando das exéquias. Desceu do pedestal e foi até a rua entrar em contato com o povo; permitiu que uma bandeira a meio pau em sinal de luto fosse hasteada no palácio; enfrentou as câmeras de televisão lendo um pronunciamento oficial - chocho, na verdade, mas melhor que nada - no qual lamentou a morte da ex-nora; por fim, assistiu, cara emburrada, sapo atravessado na garganta, a cerimônia de encomenda do corpo. Enfim, houve uma reviravolta na postura da soberana. Sua Alteza ajoelhou no milho. O que teria motivado essa mudança, na especulação do roteirista, foi uma pesquisa de opinião, trazida ao conhecimento de Elizabeth pelo recém -empossado primeiro ministro Tony Blair. Por essa pesquisa o silêncio da família real teria aumentado a rejeição ao sistema monárquico. Noutras palavras, Coroa em perigo. Por acaso, Elizabeth II recentemente tinha lido sobre a vida de "Maria Antonieta". Melhor por as barbas de Molho.

O que aprendemos ou deduzimos dessa crise:

(1) Preconceitos e ressentimentos são sempre maus conselheiros na administração de crises. A Família Real estava na bronca com a ex-princesa. Com razão ou sem razão, o fato é que essa sbronca impediu a Rainha de tomar de saída a decisão mais sensata sugerida pelo seu primeiro ministro, ou seja, fazer uma declaração lamentado a morte da Diana a zero minuto de jogo. O fato de Diana não pertencer mais à Família não poderia ser um obstáculo. Ela era mão do futuro rei da Inglaterra, by the way. Portanto, Alteza, às favas o protocolo! As pessoas têm preconceitos, mágoas, ressentimentos. As instituuições não os tem. Quem representa as instituições precisa ter isto em mente. Ouviu bem, Elizabeth? O conselho vale também para os empresários. Quando o bicho pega, não adiante perder tempo achando que os consumidores são enternos insatisfeitos, que os empregados reclamam de barriga cheia, que as ongssão um bando de maconheiros.

(2) O silêncio é uma das formas mais contundentes de comunicação. Na melhor das hipóteses, o silêncio pode significar respeito. Mas, na maioria das vezes, permite leituras mais desagradáveis: omissão, irresponsabilidade, inveja, tô nem aí, arrogância, falta de sensibilidade, baixeza. Em suma, lenha na fogueira.

(3) Nas crises, a demora no posicionamento turbina os problemas. A rainha ouviu os políticos, o maridão, a rainha-mãe, o filho, etc. Nas crises empresariais, acontece o mesmo. Antes de pronunciar-se, o CEO ouve deus e o mundo: advogados, relações-públicas, publicitários, a família, os amigos, a cartomante, etc. Ouvir todo mundo não está errado. Aliás, faz bem ouvir todo mundo. Aconselhar-se faz bem à saúde. Mas, nessas horas, o processo de consulta tem que voar. Quanto antes posicionar-se, menor o estrago. As vítimas, o lesados, a mídia, a Opinião Pública não podem esperar. Não é, portanto, momento para grandes reflexões filosóficas, do levantamento de dúvidas existenciais. Nem de esperar por ter todos os dados para decidir. Aconselhou-se, se os dados em mãos não são suficientes, complemente-os com a intuição, com bom senso, feeling. Afinal, se está no cargo deve tê-los de sobra. O fato da rainha ter voltdo atrás evitou uma catástrofe de imagem. Mas na crise, o "antes tarde do que nunca" não é atenuante. Fica sempre na boca do povo o gosto amargo do fel.

Ah, importante dizer: Helen Mirren arrebentou no papel de Elizabeth II. Por conta do desempeho ganhou o Oscar de Melhor Atriz. Pra lá de merecido. Até hoje, quando penso na rainha, me vem a figura de Helen Mirren.

domingo, 8 de março de 2009

Clube do RP de Pernambuco lança proposta inovadora no Recife

O dia 06/03 marcou o lançamento de uma proposta inovadora para área de relações públicas na cidade do Recife. O Clube do RP de Pernambuco. O evento aconteceu no auditório da livraria cultura e contou com a participação de profissionais dos mais diversos segmentos como engenharia, administração, letras e fotografia.

Entre os convidados estava Daniela Koury, relações públicas da agência de comunicação Ampla que falou sobre o equilíbrio entre identidade e imagem, focando a imagem institucional como uma ferramenta estratégica no relacionamento com a opinião pública. O evento ainda contou com a participação de Esmeralda Moura, professora da Escola Superior de Relações Públicas que falou sobre as perspectivas de mercado para o profissional de RP.

A participação ativa dos estudantes de relações públicas e profissionais de outras áreas foram o ponto alta da solenidade, em que já se deu início as discussões sobre os conceitos das relações públicas e sua importância no mundo corporativo.

Para abrilhantar ainda mais o lançamento do Blog, o grupo de chorinho Chegou o Terceiro tocou clássicos da música brasileira que serviu de trilha sonora para a celebração.

Ao final do evento o Clube do RP de Pernambuco bateu um papo com Dani Koury, que comentou sobre sua opção pelas relações públicas e as novas perspectivas para o futuro. Confira a conversa descontraída entre Danilo e Daniela.


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Por Danilo Marinho

segunda-feira, 2 de março de 2009

Novas parcerias firmadas entre Portugal e Brasil

No último dia 25/02 o Clube do RP entrevistou o Relações Públicas e sócio gerente da Guess What - Public Relations, Renato Póvoas. Na entrevista ele conta como surgiu seu interesse pela atividade e faz uma anáise da importância dessa profissão no mercado globalizado. Confira na íntegra a entrevista com o Renato.

Clube do RP: Porque escolheu o curso de Relações Públicas?

Renato Póvoas: Confesso que inicialmente as Relações Públicas foram para mim uma segunda escolha. A primeira era Publicidade. No entanto, gostei tanto do curso que resolvi continuar até à sua conclusão. A nível profissional, todas as minhas experiências foram basicamente nesta área e decerto que agora já não mudarei, até porque criei a minha própria consultora de comunicação (Guess What PR)

Clube do RP: Qual a importância das RP nesse cenário de crise em que vivemos?

Renato Póvoas: Tem uma importância vital. A boa aplicação das RP com engenho e criatividade podem ser decisivas para alavancar os negócios e superar momentos mais complicados como os actuais.

Clube do RP: RP é a profissão do futuro?

Renato Póvoas: Se até há pouco tempo existiam dúvidas, penso que actualmente isso já não se coloca. As RP são cada mais relevantes na vida das empresas. Esta é uma área que não pode ser dispensada, seja por via de recursos internos ou através da contratação de consultoras para assegurar esse trabalho. Devido à multiplicação dos meios de comunicação social e à globalização, as organizações estão hoje muito expostas publicamente, o que acarreta elevados riscos para a sua imagem e reputação. As RP são assim um profissão de presente e futuro!


Clube do RP: Em sua opinião o que tem motivado as organizações a procurarem profissionais graduados em Relações Púlicas?

Renato Póvoas: Como referi no ponto anterior existem evidentes mais-valias em contratar pessoas cuja formação é RP. São elementos fundamentais face às exigências actuais. As organizações já perceberam que têm muito a ganhar com a integração destes profissionais.


Clube do RP: E em Portugal, o mercado para RP é um mercado democrático, aberto?

Renato Póvoas: Em Portugal este é um mercado em evidente crescimento e afirmação. Existem diversos cursos superiores em RP, muitas consultoras a prestar um serviço integrado de comunicação e o número de empresas com responsáveis internos nesta área é também já muito representativo.


Clube do RP: Aqui no Brasil o ministro da Educação está propondo diminuir os cursos de graduação de jornalismo e comunicação ao nível de especialização. Qual sua opinião sobre isso?

Renato Póvoas: Não conheço bem o caso do Brasil, mas na minha opinião os cursos devem estar dimensionados às reais necessidades do mercado. Caso contrário, pode-se correr o risco de formar muitas pessoas que depois não terão capacidade de exercer a sua profissão, causando um desequilíbrio na sociedade. Em Portugal, há uns anos atrás, existia uma “febre” de pessoas que queriam ser jornalistas. Actualmente, muitos deles estão desempregados ou a fazer algo que não jornalismo.


Cube do RP: É possível encontrar uma perspectiva conciliatória entre as RP em Portugal e aqui no Brasil?

Renato Póvoas: Claro que sim. Acredito que ambos os países deviam estar mais próximos nesta matéria, pois as suas diversas experiências e conhecimentos contribuiriam para a evolução das RP. Todos temos coisas a aprender, sendo bastante importante existir um diálogo regular entre Portugal e Brasil.


Clube do RP: Uma frase que traduza o que são as Relações Públicas em sua essência!

Renato Póvoas: eu optaria antes por três palavras: Estratégia, criatividade, resultados.