quinta-feira, 30 de julho de 2009

É preciso aprender a falar com a geração Y sem esquecer os demais funcionários

O ambiente digital e o envolvimento dos funcionários ganhou atenção do 13º Congresso Anual de Comunicação Interna da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, nos dias 23 e 24 de junho de 2009 no Hotel Paulista Plaza em São Paulo/SP. Boas práticas sobre implementação e investimento em canais online, gestão de conteúdo, percepção do colaborador e retorno foram analisados em uma sessão de boas práticas. Mais que uma visão de empresa conectada e atual, estes recursos indicam a busca pela efetividade num tempo de atenções difusas.

Luciana Panzuto, gerente de Comunicação Corporativa da Hewlett-Packard/HP Brasil, fez uma contextualização da chamada Geração Y, que são pessoas ­ agrupadas não por faixa etária, mas sim pela afinidade de comportamentos ­ que buscam reconhecimentos e desafios no ambiente de trabalho, são pautados pelo questionamento, gostam de participar e são frequentemente avaliados pelos colegas como egoístas e arrogantes. Se antes os gestores tinham autoridade sobre suas equipes porque possuíam informações estratégicas exclusivas, o mesmo acontecendo com o poder do conhecimento de professores e pais, hoje a informação está amplamente disponível para diversos públicos. Mesmo dirigida para outras categorias, como acionistas ou consumidores, estão também acessíveis pelos funcionários na rede. Para a executiva, com o aumento do compartilhamento de informação numa sociedade interligada, o que vale é a capacidade de colaboração e não de retenção ou restrição. “A informação só tem valor quando é passada para alguém”, explica.

Para a geração Y, sugere-se a fixação de metas a curto prazo, porque assim há uma representação de maior imediatismo, que combina com a impaciência do grupo. Mas isto não pressupõe forçosamente uma certa superficialidade. Ao contrário, eles teriam valores sólidos e visão aprofundada do cenário. Como são pessoas sempre conectadas a alguma mídia, quando todos os meios se entrelaçam para gerar a comunicação instantânea, algumas alterações são exigidas nos ritos organizacionais, como no caso dos extensos fluxos de aprovação de conteúdos antes da veiculação (murais, boletins, intranet).

Não há dúvida de que preferem ferramentas tecnológicas, informalidade, forma e conteúdo combinados e muita flexibilidade, daí que Luciana alerta: “a comunicação face-a-face é importante, mas esta geração precisa de uma mediação”. Como exemplo disto, ela mostrou vários canais da empresa, como o HPedia, de construção colaborativa de conteúdos em espelho da enciclopédia Wikipedia; o HPFórum, com discussões variadas por temas entre a equipe; o HPUncut, tipo de YouTube interno; e o WaterCooler, espaço agregador de toda a presença digital da empresa para facilitar acesso às atualizações. (Ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

terça-feira, 28 de julho de 2009

Face-a-face é o grande recurso na comunicação interna das organizações

O 13º ano de realização do Congresso Anual de Comunicação Interna da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, teve um denominador comum: ainda que seja irrecusável a instauração gradativa de canais de interface digital para otimização de relacionamento com os empregados, está havendo uma forte redescoberta da potencialidade do diálogo presencial entre as equipes. Entre os cases relatados, os retornos de maior repercussão advêm de instrumentos que privilegiam contato direto com chefias, sem as estruturas rígidas da hierarquia e burocracia organizacionais. As palestras, com platéia superior a 100 profissionais de vários estados brasileiros, foram desenvolvidas nos dias 23 e 24 de junho de 2009 no Hotel Paulista Plaza em São Paulo/SP.

Chamada para falar sobre como a comunicação interna colabora na sustentabilidade, a TetraPak enviou sua gerente de Comunicação Corporativa, Cleusa Carvalho, para mostrar os vários meios de informação e motivação em torno do engajamento das pessoas em melhoria de processos internos e na alavancagem de ações externas de conscientização social, ambiental e econômica. Foram 141 bilhões de embalagens comercializadas em 2008, o que significa 20 unidades para cada habitante do planeta. Diante deste evidente impacto e dentro da constatação de que todas as matérias-primas envolvidas podem ser recicladas ­ dentro do monitoramento do ciclo de vida da embalagem realizado, a empresa articulou uma grande parceria com cooperativas de catadores, com doação de máquinas prensadoras. Até o cartão eletrônico de Natal foi utilizado como mídia de incentivo, e cada reenvio de seu conteúdo para a base de contatos fez a TetraPak doar um litro de leite para uma instituição previamente determinada. Sobre doação inclusive há o site www.bebaleite.com.br, onde o link Doe Leite já intermediou mais de 93 mil litros a partir de simples cliques de internautas. Outra ação é um programa ambiental educacional junto a escolas, que envolveu mais de cinco milhões de estudantes, afora o já famoso Rota da Reciclagem ( www.rotadareciclagem.com.br), colaborando para que todos encontrem pontos de coleta no país. São idéias que fortalecem o orgulho do funcionário em estar na empresa e auxiliam em sua decisão de participar, individual ou corporativamente.

Com 5,6 mil colaboradores em sete empresas de energia e sete milhões de clientes, a diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da AES Brasil, Marcia Magno, falou da pesquisa de clima organizacional em seis dimensões de análise e também na pesquisa de avaliação de veículos de comunicação interna, conduzida pela Ideafix Estudos Institucionais, que embasaram diversas modificações nos sistemas comunicacionais, inclusive para uma aprendizagem em direção ao planejamento estratégico de três anos e a um alinhamento de esforços. Uma das novidades foi o Programa Pé na Estrada, de comunicação de mão dupla, com rodadas de diálogo envolvendo 3500 pessoas em 17 eventos para criar e operacionalizar o plano de ação. Foi então elaborado um Mapa Estratégico, disseminado através de um tipo de jogo realizado toda quarta-feira durante três meses, totalizando 525 grupos inspirados por 32 multiplicadores internos. No contexto, havia a contação de histórias de vida dos integrantes reunidos na ação e a passagem, num tabuleiro, por uma série de situações simuladas do cotidiano entremeadas com os pilares de valores e estratégias. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

sábado, 25 de julho de 2009

Instituto Estadual de Florestas reassenta famílias mineiras

Especial para o Clube do RP de Pernambuco

Iniciativa alia preservação do meio ambiente e melhorias na qualidade de vida dos moradores que habitam o Parque do Itambé


Pela primeira vez no Brasil, Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais esta colocando em prática o reassentamento de famílias que habitam no Parque Estadual do Pico do Itambé. A iniciativa tem como objetivo preservar a unidade e promover melhorias na qualidade de vida dos moradores, que viviam em condições precárias no seu interior. As propriedades rurais ocupavam todo o parque, composto de 6.520 hectares.

Charles Alessandro, gerente de regularização fundiária do Insituto, explica que o reassentamento é necessário em unidades de conservação de proteção integral, como o Parque do Itambé. Nesses casos, a lei 9.985/2000 determina que as famílias devam, no processo de regularização fundiária, ser reassentadas em melhores condições do que as que viviam anteriormente. Das 27 famílias abrigadas no local, nove optaram pelo reassentamento e 18 pela idenização.

Além de terras, que variam de 5 a 100 hectares, com casa, água, luz e fossa séptica, as famílias terão a assessoria de um técnico agrícola durante um ano. Já as indenizações serão efetuadas no valor de R$ 2,307 milhões. “No começo houve resistência, mas as famílias participaram do processo e escolheram a terra. Elas estão saindo de casas de pau-a-pique para casas de alvenaria, com luz e energia e estarão a apenas 15 minutos do município de Santo Antônio do Itambé, que antes ficava a 4 horas de caminhada de suas casas”, informa a gerente do Parque, Mariana Gontijo.

As melhores condições que o IEF busca dar as pessoas e a natureza já estão sendo notadas. José Maria Ribeiro, por exemplo, está saindo de uma propriedade com 125 hectares para uma de 10 hectares e muito feliz. “Achei bom, tem lugar para lavoura, para pasto, fico mais perto da família e não preciso ir para Diamantina e Curvelo achar um “bico” para me manter” diz o guarda-parque, que vivia em uma área que não podia ser explorada economicamente.

O Parque do Itambé foi criado pelo Decreto nº 39.398, de 21 de janeiro de 1998, possuindo originalmente uma área aproximada de 4.696 hectares, sendo alterada para mais de 6.520 hectares em 2006. Está localizado nos municípios de Santo Antônio do Itambé, Serro e Serra Azul de Minas. A unidade de conservação abriga nascentes e cabeceiras de rios das bacias do Jequitinhonha e Doce e o Pico do Itambé, um dos marcos referenciais do Estado com seus 2.002 metros de altitude. A vegetação predominante é de cerrado e campos rupestres de altitude, onde ocorrem espécies raras e endêmicas de orquídeas. Em relação à fauna, destacam-se a onça-parda e do lobo-guará, espécies ameaçadas de extinção.

O esforço de regularização fundiária e os investimentos na infraestrutura acontecem em paralelo a outras ações que permitirão a abertura do parque ao público em 2010. Dessa forma, o meio ambiente ganha destaque e o desenvolvimento sustentável consegue ser aplicado da maneira correta. Depois de visitas técnicas para a identificação de trilhas ecológicas haverá também um curso de condutores para a comunidade. A formação desses guias turísticos vai possibilitar geração de emprego e renda na região e aumentará a conscientização sobre a preservação ambiental.

Vale destacar que iniciativa não é isolada no estado. Minas Gerais foi considerada pelo Diagnóstico da Situação Financeira de Sistema de Unidades de Conservação, iniciativa da The Nature Conservantion (TNC) em parceria com a Conservação Internacional (CI), SOS Mata Atlântica e Fundo Brasileiro para Biodiversidade, como o estado com o maior índice de implantação, investimento e planejamento de unidades de conservação do Brasil.

Por Thamires Andrade / Minas Gerais

domingo, 5 de julho de 2009

Nostalgia

É muito bom saber que algumas empresas começaram a se preocupar com as relações humanas sob uma outra perspectiva. Não apenas aquela, seguindo padrões e modelos para melhorar o desempenho corporativo, ou para dizer que "de fato" se preocupam com seus colaboradores.

Diversos eventos bucam tratar dessa chamada comunicação direta como forma de se modernizar, acredito. No entanto, certamente deve- se estar buscando algo que pode ser muito mais simples. Uma vez um amigo comentou que em seu trabalho, um colega estava tendo algum tipo de problema com ele. Para tentar resolver esse problema, esse colega mandava-lhe e-mails dizendo como se sentia e o que prentendia fazer para tentar resolver o problema. Em algumas raras vezes ele usava o telefone para passar algum detalhe que, por ventura, tivesse faltado.

Percebam que, e-mail, telefone, todos veículos de comunicação dirigida. Oral ou escrito, sempre buscando a mesma finalidade: Aproximação.

Outro exemplo. Como era antigamente, quando queríamos muito falar com algum amigo parente, seja para qualquer coisa, tratar de assuntos profissionais, ou apenas conversar? Ou ligávamos para ele, ou íamos à sua casa. Agora não precisamos mais disso. temos o orkut para deixar recado, temos o msn, que podemos até deixar uma mensagem offline, para quando o indivíduo entrar, receber a mensagem.

Pois é, a internet proporcionou muita coisa, inclusive a aproximação. As empresas perceberam sua potencialidade, investiram tempo e dinheiro nesse novo veículo. Inclusive mandando aqueles e-mails marketing sem serem autorizados. Empresas ganham muita grana vendendo nossos endereços de e-mail, enfim. Tudo isso pode parcer uma crítica, mas não é. Sou um usuário assíduo da rede. Mas, o que me deixa com a pulga atrás da orelha é o fato de, com a criação dessa nova Matrix, através das redes socias as pessoas perderem o contato visual, a insegurança do encontro.

A promoção da harmonia social é uma das premissas básicas para a prática das relações públicas. Então, mãos à obra, deixem de lado, pelo menos por enquanto o computador e chamem um amigo para colocar o papo em dia. Isso também vale para as empresas. Se não souber como, procure um RP.

Por Danilo Marinho


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Novas tecnologias e velocidade questionam o poder das organizações

Na era da transparência, riscos, oportunidades e implicações estão a um clique, mostrando a força da tecnologia na agregação ou no distanciamento das pessoas. Mais que isto, uma mudança na centralidade do poder está em curso, retirando das corporações, dos governos e das instituições o papel preponderante de estabelecer parâmetros e prioridades. Estas foram algumas das constatações durante o seminário Unomarketing, realizado no auditório da Fecomércio em São Paulo/SP nos dias 2, 3 e 4 de junho de 2009.

Abel Reis, presidente da AgênciaClick, aponta que legados do século XIX marcam o que ainda será enfrentado no século XXI, como a idéia do progresso e do processo civilizatório em construção com o domínio da natureza; a realização de grandes feiras mundiais que discutiam as invenções do futuro; a noção do consumo como entretenimento a partir das galerias e da exposição cênica da mercadoria, gerando um distanciamento e uma impessoalização entre consumidores e comerciantes e dando início à idéia de marca, da complexidade das escolhas e da ritualização; a consciência de que o homem depende de si próprio na evolução da vida, para além das forças divinas. Isto tudo, segundo ele, fez uma base para hoje assentar uma transição de paradigmas da economia de massa para a “economia dos mercados de um”. Sai-se das grandes audiências de platéias, com consumidores pacientes legando sua atenção, para pequenas audiências de conversações, entre consumidores exigentes e prontos para participação. Reis então situa numa concepção mais ampla de software o grande avanço sócio-econômico, como uma metáfora dos dias atuais enquanto objeto cultural de tempo real, com uma gramática própria e sendo feito e manuseado por pessoas que podem cometer erros. “São novas formas de socialidade e novos recursos de cognição possibilitados pelo software. Nossa vida cada vez mais vai ser colonizada por objetos eletronicamente vivos”, diz.

Há quem visualize neste esquema uma visão negativa, um império da “dromocracia” (gestão pela velocidade) sobre a “democracia”, mas para ele a dinâmica é estabelecida pelo usuário e a agilidade de tempo real seria uma contribuição positiva, assim como a noção do erro e da instauração aceita do modo “beta perpétuo”, numa idéia de falha como possibilidade colaborativa de aprendizado. O executivo então traçou mais dois grandes significados humanos contemporâneos: o nomadismo e o tribalismo, do homem presente em diferentes espaços, com o celular funcionando como uma nova bússola e conectando pessoas, inclusive aquelas não fisicamente conhecidas e tocadas, por critérios de afinidade. E complementa: “a idéia positivista de progresso precisa ser descontruída com vários progressos em andamento, todos válidos; com diluição da fronteira hostil entre natureza e cultura e uma postura mais ética das marcas”.

Reis confia na possibilidade de “letramento” dos internautas através da disposição em colaborar nos canais online, mesmo que seja para dar-se conta da sua incapacidade de expressão, originada de más bases educativas formal e informal. O crescimento seria estimulado. Para ele, “as marcas têm o desafio de construir uma vida de significados e referências, biosferas onde há deveres éticos. Os relacionamentos são mais significativos que no passado e têm maior compromisso com valores”. No jogo das pressões sociais, a abundância da informação seria uma força positiva. Contudo, Felipe Soutello, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal/CEPAM, condena esta agregação de pessoas via redes sociais baseadas na afinidade e portanto praticamente destituídas de contraposição e de uma visão mais holística da vida, não tão segmentada e pontual. “Sou pessimista quanto à capacidade efetiva destes meios participativos digitais de levar as pessoas à ação”, diz ele, “há, ao contrário, um desinteresse evidente por questões coletivas”. E questiona inclusive a eficácia da estrutura on-line da própria campanha do Obama, a despeito de ter obtido sua eleição, porque nos Estados Unidos o voto é opcional e portanto o enfoque não é de engajamento numa plataforma política e sim de convencimento a ir às urnas, o que prejudicaria um benchmarking para o cenário brasileiro. Agora, inclusive, a expectativa está em qual vai ser o comportamento vigilante e reivindicatório da população norte-americana diante da atuação dos eleitos, e se sua alta inclusão digital vai fazer alguma diferença nesta mobilização real.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo