segunda-feira, 29 de março de 2010

Pesquisa analisa os desafios e estratégias em Comunicação 2.0 das grandes empresas

Um levantamento exclusivo, realizado pela Fundamento Análises com 50 executivos de TI e Comunicação de 31 empresas nos três primeiros meses de 2010, foi alvo de um dos painéis do Web Expo Fórum, organizado no Centro de Eventos do Shopping Frei Caneca entre os dias 17 e 19 de março em São Paulo/SP. Mais de 500 participantes de vários estados brasileiros estiveram envolvidos numa maratona de 49 atividades ­ entre palestra, painel, keynote e workshop ­ com 68 ministrantes. Os resultados do estudo foram apresentados pela diretora de Planejamento da Fundamento Comunicação Empresarial, Adriana Panzini, e pela coordenadora do trabalho, Madu Troyano, e debatidos pelo diretor geral da Aberje e professor-doutor da Escola de Comunicações e Arte da ECA/USP, Paulo Nassar, e pelo consultor e professor Rogério de Andrade.

Evidenciando que a natureza das empresas ainda não está tão alinhada à velocidade que os meios digitais permitem e exigem, 52% dos consultados apontam a falta total de interação das organizações com seus públicos online. De todo modo, quando isto acontece, é através do Twitter (24%), Orkut (22%) e Facebook (17%), e depois os blogs (14%). Esta falta de interação é atribuída à ausência de estratégia definida (20%) e receio de se expor (20%), além de não verem benefícios para geração de negócios B2B (17%) e de reconhecerem não haver estrutura interna para atender as demandas (17%). Para Madu, “a aprendizagem contínua precisa passar pelo recebimento de críticas”, algo que as organizações não estão preparadas.

A maior parte das empresas afirmou começar a tentativa de interação através do setor de comunicação interna, que ajuda a disseminar a cultura Web 2.0 na empresa. Outra “porta de entrada” são sites com interação, que ajudam a monitorar o volume de interações e os  assuntos predominantes, afora ações pontuais que permitem monitorar repercussão, fechamento de negócios e geração de buzz. Como exemplos de sucesso foram citadas as redes sociais internas nas organizações, que demonstram a efetividade de compartilhar informações e melhorar a produtividade. A internet como apoio a marketing é outro modo de reconhecer a pertinência da rede, em suporte a campanhas em mídias tradicionais e como plataforma para promoções e jogos. A captação de novos talentos também é outro indicador, porque já vem sendo feita via redes sociais, com evidente economia e precisão de perfil. Conteúdos informativos distribuídos têm mostrado força como geradores de novos negócios e foram outro apontamento daquelas organizações com experiência nas interfaces online. “Em geral, a mentalidade tradicional nas empresas é de restrição de informação”, comenta Adriana.

Como marcas de esforços inadequados para o meio, foi citada pelos entrevistados a manutenção de perfis falsos ou manipulados, em que a interação em redes sociais feitas por funcionários que se passam por clientes satisfeitos. Quando a idéia era excelente, muitos casos relatam problemas técnicos que impediram a execução, sendo outro ponto de preocupação. O alarde sobre lançamentos de portais, conteúdos ou campanhas que não se concretizaram na data ou forma divulgada vem acrescer na política imprópria para a presença digital, bem como não ter uma identidade única na internet e fora dela, ocasionando falta de alinhamento na comunicação e resultados abaixo do esperado.


Por Rodrigo Cogo / São Paulo

quinta-feira, 25 de março de 2010

Posicionamento estratégico da comunicação interna

Refletir sobre os benefícios de investir em inteligência em comunicação interna pode ser um passo importante na promoção estratégica da área dentro da organização. Este foi um ponto unânime entre os palestrantes da Conferência Internal Communications Intelligence da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, realizada nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2010 no Hotel Park Plaza em São Paulo/SP. Quanto mais organizado, planejado e rigoroso for o processo ­ dentro da realidade de mudanças contínuas típicas de ambientes vivos, mais chance de demonstrar influência nos resultados do negócio e garantir reconhecimento.
O gerente de Assuntos Governamentais e Institucionais da Caterpillar Brasil, Antonio Carlos Bonassi, relata que o planejamento estratégico na unidade começou em 1996, com estruturação de visão, missão e valores e com atenção ao engajamento. Vencedora dos prêmios de melhor empresa para se trabalhar em dois rankings (Great Place to Work e Revista Exame), hoje a organização enfrenta com maior sintonia e até antecipação todos os movimentos do mercado. O setor de Comunicação conta com nove funcionários com todas as graduações do segmento. Apesar da demanda pela área ser cada vez maior, as equipes vêm sendo enxugadas, relata o relações públicas, para quem dizer que comunicação empresarial precisa ser estratégica é uma grande redundância. A área em si precisa estar impregnada deste olhar de longo prazo, integrado e concatenado com cenários numa postura proativa de um time de especialistas. A ideia é ser referência no tema da informação e do relacionamento junto a todos os setores da empresa. O uso da inteligência na comunicação colabora com este patamar de reconhecimento, tornando as interações fluidas na estratégia do negócio.

Na Caterpillar, há 18 canais internos para uma equipe de 4.300 pessoas em uma única fábrica, entre veículos impressos, eletrônicos e plataformas presenciais trabalhados de maneira transparente, consistente e alinhada com a estratégia. A manutenção da periodicidade de todos os meios é tido como ponto crucial de credibilidade. O telejornal Bola da Vez tem o funcionário como protagonista falando histórias ligadas ao trabalho, mesmo recurso empregado na escolha das pessoas para figurar em campanhas internas. A grande maioria dos membros sinaliza a preferência pelo recebimento de dados diretamente do gestor, revela o executivo. A formação de líderes como comunicadores, por isto mesmo, configura-se como uma busca constante com vistas a evitar boicotes aos fluxos formais.
Entre os desafios para 2010, aponta a renovação da linguagem e formato de meios internos, facilitação de acesso às comunicações na fábrica com interatividade, criação de um programa de visitação para funcionários e estímulo do espírito empreendedor. A definição destes itens deu-se por pesquisa de clima, focus groups e enquetes pela intranet. Há ainda um índice mundial que relaciona indicadores como engajamento, liderança, diversidade, mudança, qualidade, valores, remuneração, gerenciamento executivo e desenvolvimento sustentável. O conhecimento sobre redes sociais é o investimento atual, inclusive com liberação de acesso no ambiente de trabalho. “Precisamos de pessoas empreendedoras, identificadas com a cultura organizacional. É o olho do dono, com outra visão de negócio”, explica. Neste sentido, uma campanha de incentivo recente resultou na entrega de duas ações da empresa para cada funcionário, significando um compartilhamento da propriedade e demonstrando o quanto o comprometimento com resultados é função e lucro de todos.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sabedoria popular - post em rede

Passei minha infância ouvindo ditados populares. Quem é caipira sabe o reflexo que isso tem na vida da gente. Um apego danado a estas frases feitas que tão bem resumem a sabedoria do povo. Os gurus do marketing que me perdoem, mas acho que elas são imbatíveis e na maioria das vezes ajudam mais que os tantos manuais da vida empresarial que existem por aí.

Outro dia recebi, via email, uma consulta a respeito da pesquisa em comunicação corporativa. Foi quando resolvi misturar alhos com bugalhos e selecionar alguns ditados para esclarecer minha opinião.

4. Cada macaco no seu galho.
Você, caro leitor, já viu médico restaurando dentes? Ou um físico construindo viadutos? Uma fonoaudióloga fazendo fisioterapia? Pois bem. Nós, profissionais de humanidades, temos o privilégio da versatilidade. Somos intuitivos, multidisciplinares e transitamos com desenvoltura ímpar em áreas tão variadas quanto jornalismo, recursos humanos, relações públicas, publicidade, psicologia, administração. Ousamos palpitar em quaisquer espaços que nos dêem voz.

Isso nos caracteriza como generalistas. Mas pesquisa é assunto que requer especialidade, domínio de certas técnicas, conhecimento de metodologias.    Portanto, se precisar de pesquisa de comunicação ou de opinião, chame um profissional para discutir o assunto, informe-se sobre as técnicas possíveis, domine o vocabulário.

* este material foi escrito pela relações públicas Suzel Figueiredo, pesquisadora pós-graduada em Pesquisa de Mercado, Mídia e Opinião/ESPM-SP e mestranda em Ciências da Comunicação/ECA-USP. Ela é diretora da Ideafix Estudos Institucionais e coordenadora do Instituto Aberje de Pesquisas. Contatos pelo suzel.figueiredo@ideafix.com.br .

** esta é uma postagem em rede, então, pra continuar sua leitura, leia a quinta parte no blog Comunicação Empresarial ( http://marcio-comunicacaoempresarial.blogspot.com). Veja que este post tem o quarto dito popular: o primeiro você encontra no blog O Cappuccino ( http://ocappuccino.blogspot.com), o segundo está no blog Gecorp ( http://gecorp.blogspot.com) e a terceira parte está no blog Ser.RP ( http://serrp.blogspot.com).

terça-feira, 16 de março de 2010

É hora de aplicar inteligência nos processos de comunicação interna nas organizações

A formatação de business plan para aperfeiçoar a área, qualificar a equipe e garantir retornos financeiros aos investimentos chegou na comunicação interna das organizações. Diagramas, planilhas, projeções de despesas e receitas e outras ferramentas típicas dos setores administrativo-contábil agora fazem parte do cotidiano dos comunicadores. Com orçamentos cada vez mais enxutos, é preciso programar este universo de ação como gerador de valor e não como fonte de gastos. Foi o que se viu na Conferência Internal Communications Intelligence da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, realizada nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2010 no Hotel Park Plaza em São Paulo/SP.

A diretora de atendimento da Press&Mídia Comunicação, Dirce Alves, entende que inteligência competitiva diz respeito à busca de manutenção ou desenvolvimento de vantagem em relação aos concorrentes, a partir da captação, filtragem e análise de dados para embasar tomada de decisão. No contexto da sociedade do conhecimento, onde a interação dos âmbitos social, cultural, econômico, político e institucional é intensa, a efetividade da leitura de cenários influencia na qualidade da ação e reação. A inovação tecnológica e a busca da integração da informação são pontos fundamentais neste cenário, ao lado do alinhamento e da disseminação de missão, visão e valores como base para a reputação. “A inteligência competitiva é um componente crucial da emergente economia do conhecimento, com análise de players de mercado e antecipação de tendências”, complementa. Todo trabalho nesta área precisa levar em conta o diagnóstico dos pontos frágeis e fortes, análise de contexto regional e limitações de tempo e recursos. Com a consciência de que a informação gera negócio, os gestores estão cada vez mais atentos à potencialidade do tema.

A relações públicas Cynthia Provedel, gerente de Comunicação Interna da Ericsson Telecomunicações, trouxe uma equação bastante simples e interessante: se processos são criados de uma somatória de pessoas e ferramentas, e pessoas significam uma conjunção de competências e atitudes, a união entre processos e profissionais leva à inteligência e à otimização. Só atendendo à estratégia do negócio é possível posicionar a comunicação interna como agregadora de valor, com os subsídios necessários para definir plano tático e demandas e alocar ferramentas e recursos. Um ponto importante é reunir uma equipe que apresente competências técnicas, comportamentais e de negócio para dar andamento eficiente a este fluxo. Sobre competências técnicas, cita a formação em si, as habilidades táticas em mídias, conteúdos e ferramentas, o conhecimento sobre mensuração e de temas transversais como branding, sustentabilidade e recursos humanos. (ler mais em mundorp.com.br)

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

terça-feira, 9 de março de 2010

Sustentabilidade uma questão digital ou analógica?

Tem se tornado frequente a discussão sobre a quantidade de "lixo midiático" produzido pelas grandes metrópoles brasileiras. Em entrevista à revista REP - Educação e Terceiro Setor nº 260, o jornalista André Trigueiro comenta que, segundo estimativas da Comlurb, no município do Rio de Janeiro, entre 40% e 50% dos resíduos urbanos são resíduos recicláveis.

Isso permite a possibilidade de um conjunto de ações sustentáveis para a preservação da natureza. A transformação da reciclagem em hábito já é uma realidade não tão distante dos nossos sonhos. Políticas públicas que fomentam as práticas sustentáveis estão presentes em cidades como Curitiba que troca o lixo reciclável por cestas básicas. Na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, garrafas pet viraram decoração natalina. Assim, um verdadeiro "efeito viral" se espalha por diversas cidades brasileiras, contribuindo para a preservação ambiental.

Parece que foi ontem que as primeiras páginas em papel reciclado de revistas e impressos revolucionaram a sociedade, dando um pouco de esperança aos movimentos em favor da ecologia. Até um Ministério do Meio Ambiente foi criado. Todos esses pontos convergiram para que se chegasse a um questionamento: Sustentabilidade é uma questão digital ou analógica? onde se lê analógica, leia-se mundo real.

No ambiente analógico (real) seria possível listar uma série de ações que promovam, valorizem, defendam e até institucionalizem. Já no ambiente digital, a realidade parece ser outra. Irônico né? Ao passo que esse universo potencializa as possibilidades de interação, ele também serve de pano de fundo para uma exposição demasiada de informações, muitas vezes prejudiciais e agressivas. O Brasil, que é apontado como um dos países que mais utiliza a ferramenta das redes sociais, tem indicadores bastante expressivos nesse aspecto. números Segundo pesquida desenvolvida  pela Nielsen Media Research em março de 2009, 80% dos brasileiros que acessam a internet estão conectados aos sites de relacionamento.

Como a própria designação indica, sustentabilidade é possibilitar à comunidade, à sociedade, à um grupo, produzir aquilo que consome (valores, bens e serviços) de maneira consciente, ética e duradoura. Na revista do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação nº 10, o escritor inglês Andrew Keen afirma que o uso de blogs, myspace, youtube e a pirataria digital estão destruindo a ecnomia, a cultura e os valores. Por essa lógica, se formos mais adiante, perceberemos que o universo digital está destruindo a sustentabilidade. Putz! que doideira....

A web 2.0 e o universo real proporcionam um grande paradoxo quando: " em termos de inteligência pura, elews são tão espertos como sempre foram. Mas quando falamos você vê o conhecimento deles de história,  literatura, filosofia eles são completamente ignorantes. " Afirma Mark Bauerlein, professor de literatura inglesa da Universidade de Emory, nos Estados unidos. Por outro lado, a web ofertou um novo modelo de relacionameto, modificando também a forma  de se fazer comunicação nos contatos interpessoais, na propagação de informações e na ampliação dos laços sociais.

Afinal, sustentabilidade é uma questão digital ou analógica?

Por Danilo Marinho

quarta-feira, 3 de março de 2010

Comunicação e pesquisa estão no centro da metodologia de Balanced Scorecard

Cases de sucesso em estágios avançados na implementação de BSC e os processos utilizados para internalizar e manter a sustentabilidade da metodologia com o engajamento dos colaboradores, sob influência direta dos líderes, foi o que se viu na terceira edição da conferência “Melhores Práticas em Balanced Scorecard”. E um ponto não deixou dúvidas sobre o centro do trabalho: a importância da comunicação e da pesquisa. O evento reuniu mais de 60 profissionais de vários estados e foi organizado pela International Quality and Productivity Center/IQPC, no Hotel Quality Moema em São Paulo/SP, nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2010.

Para Fanny Schwarz, sócia-diretora da consultoria Symnetics, à medida em que a organização evolui no mapeamento estratégico é vital o engajamento do capital humano. A excelência deve estar tanto na estratégia quanto na execução e o BSC existe, na verdade, como método de comunicação e de medição do progresso de uma estratégia num ambiente - embora o desafio seja sempre transformá-lo em processo, inserido no dia-a-dia. Segundo a executiva, é preciso colocar a estratégia no centro de tudo que a organização faz. Para isto, ela deve ser traduzida e transformada em processo contínuo e tarefa de todos, criando sinergias. Estas ações não prescindem da liderança executiva como mobilizadora da mudança. “A implementação da estratégia requer um envolvimento pessoal. Daí vem o compartilhamento, o desdobramento”, acrescenta Fanny, com uma conexão top-down para alinhamento, mas sem deixar de lado o bottom-up para incorporar esta visão das coisas.

O propósito de alinhar o capital humano à estratégia é permitir que todos os colaboradores compreendam o sistema e conduzam suas tarefas cotidianas de modo a contribuir para o  seu êxito. A consultora assinala que, mesmo distantes da corporação e das sedes regionais, todos os indivíduos devem descubrir formas de atuação compatíveis. Para a criação de um clima que sustente a mudança estratégica, indica-se a garantia da compreensão da estratégia, o alinhamento de objetivos pessoais à estratégia corporativa e a vinculação com sistemas de recompensa e reconhecimento.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo