quarta-feira, 26 de maio de 2010

Para Admilson Gomes de Oliveira – in memoriam

Esse não apenas um espaço para discutirmos comunicação, relações públicas, ou qualquer coisa do gênero. É um espaço também para dizermos que acima de todo tipo de debate, discussão, embate, estão as pessoas. Por isso, venho abrir esse espaço para prestar minhas condolências a um senhor que durante minha permanência em Recife também gritava, mais alto do que eu! Caza, Caza! Sport!


CAZÁ, CAZÁ, ADMILSON!
                                                           (Para Admilson Gomes de Oliveira – in memoriam)
           
            Como vou ver agora a tua inesquecível figura - camisa do Sport, radinho de pilha ao ouvido, a caminhar pelo entorno do Mercado da Encruzilhada, atento aos lances de Sport versus qualquer time de dentro ou de fora do Estado?
            Como ouvir os teus comentários - mais que apaixonados -, enaltecendo as virtudes, ou achincalhando os jogadores do Leão da Ilha, conforme tenha sido o seu desempenho bom ou mau, na última partida? E os papos ao portão da casa duplex onde fomos vizinhos, tu no térreo, eu no primeiro andar?  As gostosas histórias de família (especialmente a da “doação”, à sua revelia, da camisa Volta ao Mundo –  história tantas vezes repetida, para nosso deleite) ; as peraltices do cachorro choquito, a arranhar com suas patas, os carros da familia e a quebrar jarros de plantas no jardim.
            Como ouvir novamente: “Filha, vem ver quem tá aqui!! - referindo-se ao “neto postiço” Iago Marinho - na verdade meu neto – a quem demostravas carinho de verdadeiro avô?
            Não mais teremos esse gozo. Ele agora é privilégio dos teus novos vizinhos, novos amigos, novos “netos”.
            Em outros entornos, circulas, olhando, de longe, o teu time jogar.
            Os campos agora são outros. São campos celestes. Neles, conforme dizem, só existe uma torcida. Todos estão do mesmo lado. E parece que todos são vencedores. Não sei bem como pode ser isso, mas acredito que assim seja.
            Tens aí um radinho, para acompanhar as partidas? Parece que não é necessário. Os sentidos são mais aguçados, no lugar onde estás.
            Certamente estás feliz.
            Por isso, não ficamos tristes com a tua partida. Sabemos que a tua companhia faz bem a outros que partiram antes de ti.
            Nos conformamos. Guardamos de ti pequenas lembranças; a tua marca nos objetos que deixaste; a tua imagem na nossa memória; mas a lembrança maior que guardamos é a da pessoa Admilson. A tua singeleza. A tua simpatia; a tua facilidade de comunicação com todos os que gravitavam ao teu redor: o segurança da rua; o porteiro do prédio vizinho; o vizinho do prédio ao lado; o coronel, o garçon, o engraxate, enfim, todos os que conheceste ou com quem, de alguma forma, tiveste contato.
            É muita gente para ter saudade. É muita saudade dentro da gente.
            Mas, como disse, nos conformamos. Alguém do outro lado, precisava de ti. Também queria ouvir o que tinhas pra contar. Talvez quisesse discutir futebol. Ou, quem sabe, ouvir as últimas de choquito. Ou, ainda, saber a programação do carnaval. Tu sabias tudo de carnaval!
            Não importa! Importa saber que atendeste ao chamado.
            E que nós podemos contar que tivemos um amigo especial. Que, independentemente de partida, torcia sempre por nós.
            É por isso que eu, tricolor de coração, trago-te o meu adeus com o grito do Leão.
            Cazá, Cazá!!
           
            J. C. Marinho
            Recife, maio, 2010

                       

            Também em nome de: Valdete, Victor, Daniele, Danilo, Vanessa e Iago Marinho



terça-feira, 11 de maio de 2010

Comunicação interna não pode mais ser dissociadas das estratégias externas

Não há mais espaço para uma comunicação interna dissociada das estratégias externas da organização, sob pena de causar confusão e questionamentos de credibilidade de discurso. A situação é ainda mais crítica em tempos de multiprotagonismo, quando os chamados “stakeholders” assumem diferentes papéis em distintos agrupamentos de relação. A Associação Brasileira das Agências de Comunicação/Abracom, buscando ampliar sua visibilidade junto a outros segmentos empresariais como interlocutora de discussões do gênero, renovou parceria com a PR Newswire e promoveu, no dia 5 de maio de 2010 no L´Hotel em São Paulo/SP, um debate sobre a visão da comunicação interna como ferramenta da gestão de pessoas em seu tradicional café de Comunicação Corporativa. O espaço lotado deu uma noção da relevância do tema entre várias empresas e instituições.


Claudia Zanuso, diretora da Klaumon Forma e também coordenadora do grupo de Comunicação Interna na Abracom, deu início aos trabalhos para mostrar os principais resultados de uma pesquisa exatamente sobre formatos de operação da comunicação interna nas organizações, ao lado do trabalho já desenvolvido de formatar e divulgar um caderno especial (impresso e digital) sobre o tema. Segundo, o enfoque do estudo partiu do conceito de Comunicação Interna como um sistema entre organização e público interno, de mão dupla, estruturado, dinâmico e pró-ativo ­ funcionando como agente inspirador e transformador das relações humanas, sociais e empresariais. Entre os objetivos principais da atividade estão a difusão da visão, missão e valores corporativos, ampliação e harmonização de diálogo entre capital e trabalho e valorização do funcionário como importante fornecedor de opinião positiva. A função estratégica de CI abrange o alinhamento com negócios da empresa, para o que é necessário o envolvimento e o comprometimento de todos os níveis da empresa, a produção de um discurso coerente com a comunicação externa para ter a credibilidade de um discurso único.

A entidade, criada em 2002 então com 5 membros, hoje reúne mais de 334 associados e está centrada na obtenção de padrões de qualidade e ética no segmento e no aperfeiçoamento de profissionais da comunicação corporativa. Em torno de 23% das agências trabalham há ao menos três anos em CI, e apresentam algumas dificuldades comuns: apontam a verba em 26% como maior problema, seguida de 23% para falta de entendimento pelo contratante da necessidade do trabalho de comunicação interna, e 11% para a juniorização das áreas de comunicação corporativa, que afeta a visão estratégica de alguns trabalhos. Há ainda dificuldades de aferição de resultados frente a investimentos, disputa entre os setores de Comunicação e de Recursos Humanos e falta de cultura de diálogo aberto com empregados. Para Claudia, é preciso entender que CI colabora para que os funcionários se tornem porta-vozes da organização, além de ser responsável pela disseminação de conhecimento de grande valor no compartilhar.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo