quinta-feira, 26 de março de 2009

Conversação é a ordem na comunicação digital

Experiências em comunicação digital apresentada em painel do 9. Mix de Comunicação Interna e Integrada, realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial no dia 12 de março de 2009 no Novotel Jaraguá em São Paulo/SP, deixaram os participantes com inúmeras idéias na cabeça. Atentos a um novo cidadão emergente das possibilidades interativas das plataformas web 2.0, onde a conversação livre e sem hierarquia ganha o foco, os cases da HP, IBM e Grupo Santander Brasil apresentaram algumas alternativas para manter a atratividade e o engajamento junto aos funcionários.

“Intranet Corporativa Santander”, trabalho vencedor do Prêmio ABERJE Brasil na categoria de Mídia Digital, foi o tema tratado pela executiva Solange Ferrari de Lima, sobre as características e a tomada de decisões para implantação da intranet corporativa do Banco Santander, um processo de padronização e interligação de intranets de todo o Grupo em 40 países e seus 240 mil funcionários. O trabalho envolveu equipes multidisciplinares internacionais para ajustar um portal de entrada centralizador de informações geradas por grupos nacionais. O processo de criação do canal foi de intensa conversação sobre as necessidades cotidianas, em termos de formulários eletrônicos, normas em formato mais amigável, agrupamento de conceitos de produtos, apresentação institucional.


O enfoque era o senso de co-responsabilidade e valorização de diferentes protagonistas, mais do que considerá-los apenas “público-alvo”. Foram 14 meses de estruturação, onde foram articulados workshops, distribuídas camisetas aos gestores, veiculados teasers por email e publicados um guia de uso impresso e outro eletrônico para melhor navegação e contribuição de todos. Toda a interface com os fornecedores foi determinada para acontecer sem vocabulário técnico, para clarear as demandas e as alternativas sem erros, inclusive permitindo melhor cobrança de prazos e resultados.

A intranet agora é o ponto central do trabalho de comunicação da instituição, numa história iniciada por um estagiário, considerado internamente o melhor especialista do tema e hoje promovido a gerente da área. Hoje, o espaço tem o jornal diário Idéias Online, a home é modificada diariamente e mais de 350 ferramentas de trabalho estão disponíveis, incluindo o ponto eletrônico, realizado através do login de entrada no computador. A intranet corporativa é acessada pela mesma página em todo o mundo, com opção por quatro idiomas, e depois um conteúdo padrão interno é mostrado para aí chegar numa intranet local customizada por país. Há canais predeterminados para atualizações, incluindo um blog do Presidente. São três milhões de páginas com 10 milhões de acesso por mês no Banco, afora o acréscimo mensal de outras 14 mil páginas por 164 gestores de conteúdo.


Com o título “HP Brasil: engajamento digital”, case finalista do Prêmio ABERJE São Paulo na categoria Mídia Digital, a Gerente de Comunicação Corporativa da HP Brasil, Luciana Panzuto, relatou a utilização de um mix de ferramentas. A HP envolve em todo o mundo mais de 311 mil funcionários e uma ampla rede de parceiros, sendo mais de 140 mil em vendas e outros 70 mil em serviços. No Brasil, em quatro fábricas há mais de oito mil colaboradores, afora três mil parceiros, 25 mil canais de venda e distribuidores e parcerias com mais de 28 instituições universitárias, mostrando o tamanho do desafio de obter engajamento de públicos com interesses tão diversos e pulverizados. A dinâmica da produção e distribuição de informação digital atual é muito alta, na opinião da publicitária, baseada no estudo "The Expanding Digital Universe”, do IDC nos EUA e realizado em 2007, que apontava que no ano anterior, o volume de informação digital criado em todo o mundo foi de 161 exabytes ou 161 bilhões de gigabytes – superior ao produzido em todos os livros já escritos. Entre 2006 e 2010, o volume de informação terá crescido mais de seis vezes, ou 988 exabytes.

O desafio dos comunicadores então passa pelo gerenciamento de conhecimento, em que a cultura de compartilhamento é fundamental. Neste sentido, iniciativas internas de network são reconhecidas e recompensadas individualmente ou em grupo com firme apoio da liderança. “Funcionários engajados sabem onde a empresa quer chegar e querem colaborar com esses objetivos”, aposta ela, sendo que para tanto é preciso fornecer instrumentos adequados.

Por Rodrigo Cogo / São Paulo

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