quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Redes sociais.....

Era apenas para ser mais um experimento interno, mas a internet acabou se tornando o fenômeno que é hoje. Uma nova sociedade se construiu, ainda se desenvolve e se reinventa com as possibilidades que essa ferramenta pode nos proporcionar.

Um verdadeiro universo virtual parece nos tirar a realidade quando estamos conectados a ele, pois assim nada mais parece existir. Entretanto, essa realidade virtual só se sustenta a base do mundo real. Que paradoxal! Ainda me lembro quando o orkut, desde sua fase de bicho papão a monstro que aprendemos a conviver, de alvo de investigação policial à estratégia de análise de perfil profissional. Agora, ao que me consta são mais de 11 plataformas utilizadas com características semelhantes para se gerenciar relacionamentos.

A web se tornou 2.0, está mais dinâmica, é flex, não possui mais aquelas características de paisagem sem interação. Velocidade de informação, interação entre seus usuários, colaboração ditam as regras nesse novo cenário. Mas como falar de colaboração, sem antes lembrar de educação? Infelizmente, grande parte da população brasileira não tem acesso a um sistema de ensino de qualidade, consequentemente, o acesso à internet também se tornou limitado. Cerca de 24% da residências brasileiras possuem acesso à grande rede.

Segundo dados do IBGE, na região sudeste, 40% das residências possuem computador, enquanto que 31,5% tem acesso à internet. Já na região sul, o estudo aponta que 38,5% das residências possuem computador e 28,6% delas tem acesso à rede. Na região centro-oeste, 30,9% das residências possui computadores e 23,5% respectivamente. Os números são mais preocupantes quando o estudo se refere às regiões norte e nordeste. Apenas 17,4% das residências tem computadores e ínfimos 10,6% com acesso à internet. Esses números representam a desigualdade que existe entre os usuários da rede em todo país. O que sinaliza um estado de grande preocupação.

Outro agravante, muitas páginas da web são escritas em outros idiomas. O que fazer? Por um lado a população que não conhece sequer um computador, por outro os gastos com a publicidade aumentaram mais de 119% em agosto desse ano, apenas nos Estados Unidos. Nosso grande desafio, não podemos esquecer que existe uma parcela da população que não tem acesso à internet, e que, dessa forma, acaba excluída desse novo moviemento social.

É preciso investir em políticas públicas, em seu sentido latu, não apenas como iniciativa governamental, mas como ação da grande população, por ela estar mais próxima desses indivíduos, enfim...Afinal de contas uma cultura solidária se constrói através de processos contínuos e com participação coletiva.

Por Danilo Marinho

2 comentários:

  1. otimo texto danilo, para se pensar se o conceito de democracia digital é realmente verdade? no caso político já se percebeu e perceberemos no ano que vem que a democracia política na rede na verdade nao existe, pois quem participa são os mesmos que já exercem a cidadania no off line

    claro que com o aumento do poder aquisitivo das 'classes C e D', aumentará o indice de acesso ao computador e à internet, mas estar na rede nao garante democracia

    mateus

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela abordagem ao tema extremamente oportuno. A desigualdade digital é uma realidade que vivemos que nada mais é como um reflexo da nossa desigualdade social. Cabe a nós, comunicadores, fazermos nossa parte e cobrarmos dos poderes públicos a responsabilidade que cabe aos mesmos.

    Andrea.

    ResponderExcluir